Instituto Açoriano de Cultura
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Exposição
 
 

Humberto Marçal
Exposição de Gravuras e Litografia

 

De 9 a 23 de Maio, no Palácio dos Capitães Generais em Angra do Heroísmo, e de 30 de Maio a 13 de Junho, na Academia das Artes dos Açores, Ponta Delgada, realizou-se uma exposição de gravura de Humberto Marçal.

O artista gravador Humberto Marçal realizou duas exposições de Gravura e Litografia, a primeira em Angra do Heroísmo, de 9 a 23 de Maio, no Palácio dos Capitães Generais, e a segunda em Ponta Delgada, de 30 de Maio a 13 de Junho, na Academia das Artes, certames em que estiveram patentes ao público quatro dezenas de notáveis trabalhos da sua autoria.

No dia 9 de Maio, pelas 15:00 horas, na Escola Secundária Pe. Jerónimo Emiliano de Andrade, e no dia 30 de Maio, pelas 14:30 horas, na Escola Secundária Antero de Quental, o referido artista dirigiu workshops sobre gravura e litografia, abertos ao público em geral.

Nestes mesmos dias, pelas 18:00 horas, realizou-se também a abertura das exposições, em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada, respectivamente.

Exposição de Humberto Marçal

A presença nos Açores de Mestre Humberto Marçal constitui sempre um ponto alto no panorama das actividades relacionadas com as artes plásticas na Região. Tanto mais que – desta vez, a convite do Instituto Açoriano de Cultura – o notável artista faz deslocar a duas ilhas do arquipélago (Terceira e São Miguel) uma exposição integrada por quatro dezenas de excelentes trabalhos, que assinalaram um percurso que é simultaneamente uma referência obrigatória no âmbito da gravura em Portugal.

Com a presença de Humberto Marçal entre nós, o Instituto Açoriano de Cultura julga estar a cumprir o seu principal objectivo cultural, no sentido de revelar o que de melhor acontece nesta e em outras áreas da criatividade artística.

É, de resto, também objectivo desta instituição proporcionar o contacto com o que de melhor se realiza, em termos culturais, no exterior, na certeza de que só assim nos será possível conhecermo-nos melhor e, deste modo, tornarmo-nos mais universais, quebrando o isolamento que por vezes teima em se instalar, mesmo for a do seu tempo histórico.

Jorge Augusto Paulus Bruno
Presidente da Direcção do Instituto Açoriano de Cultura

Que Humberto Marçal é um conhecido professor e divulgador da sua arte, a gravura nas suas várias técnicas, é um dado naturalmente conhecido.
Mais secreta porém, é a outra vertente de um trabalho aturado feito de um grande conhecimento das matérias e das técnicas que não só domina como inventa sempre que é preciso.
É essa a marca do artista, sempre presente na acção do professor.
Tal marca está particularmente presente nesta exposição de: gravura e não!
Aqui, Mestre Marçal vai desde a grande depuração, quase ascética e despida de efeitos das suas litografias, ao ensaio obsessivo de técnicas mistas, nas quais a gravura é apenas um dos componentes.
- Num caso obras de total contensão e sabedoria.
- Noutro caso obra feita, melhor, obras fazendo-se, contando mesmo a história da sua elaboração diante dos nossos olhos, aditamentos, arrependimentos, gravuras acrescentadas e transformadas em obras únicas, pedaços do encantamento incontido do artista pela sua matéria, num exagero que é, sem dúvida, feito de paixão.
A gravura, como a pintura que mora a seu lado, como a fotografia que, de algum modo, dela nasceu, é mesmo assim, fruto de temperança e excesso, e a mestria nessa arte está nisso mesmo:
Saber ser sóbrio!
Saber ser excessivo!
E é isso mesmo o que encontramos nos caminhos e experiências deste exposição.

José Luís Porfírio

A GRAVURA

Na primeira metade do séc. XV foi inventada a prensa de talhe-dôce. A água forte nasceu na Alemanha cerca de 1510.
A primeira água forte, datada de 1523 é da autoria de Urs-Graf (1485-1523). Nesta época gravava-se essencial mente sobre ferro.
No séc. XVII e até fins do séc. XVIII, a água forte servia quase exclusivamente para preparar gravações que eram terminadas por buriladores.Todas estas gravuras serviam para reproduções de pinturas e desenhos. No séc. XVIII, a gravura era muito utilizada em vinhetas, ilustrações, convites, etc.
A água tinta levada a um alto grau de perfeição técnica por Jean Baptiste de Prince, na 2ª metade do séc. XVIII, encontrou em Francisco Goya (1746 - 1828) o seu mais genial criador artístico ("os caprichos", "desastres de guerra" e "provérbios"). No fim do séc. XIX a gravura foi muito apreciada pelos impressionistas.
O séc. XX faz surgir uma série de escolas, influências e correntes. Pablo Picasso experimentou todas as técnicas, tornando-se o artista com a obra gráfica mais prolífera de todos os tempos. Na segunda metade do séc. XX, abrem as grandes exposições e bienais de gravura: Lugrno, Tokio, Cracóvia, Florença, Paris.
A gravura cada vez mais opera como um veículo difusor das estéticas contemporâneas, dadas as suas características de "Múltiplo".

A LITOGRAFIA

A litografia, descoberta nos princípios do Séc. XIX, não pode ser separada dos acontecimentos científicos deste período que de algum modo facilitaram a sua invenção.
Foi em Mounique que Alois Senefelder (1771-1834), autor de peças teatrais medíocres, descobriu a litografia.Em 1800, regista a sua patente em Londres.
O desenvolvimento da litografia divide-se em dois períodos bem distintos: na origem, ao mesmo tempo que procuram explorar comercialmente este novo processo, aparecem as primeiras matrizes com carácter artístico (desde 1800 em Inglaterra). A partir de 1810, esta técnica, tendo adquirido a sua autonomia, foi utilizada como meio de reprodução de desenhos de pintura de mestres.
Pintores como Goya servem-se da litografia como meio de expressão artística; alguns anos mais tarde, torna-se um instrumento de imprensa jornalística, porta-voz da opinião pública e conhece, enfim, uma renovação extraordinária com a utilização da côr, da qual Toulouse Lautrec fará, nos seus cartazes, uma magistral aplicação.
De então para cá, dada a versatilidade da utilização de técnicas, não há limites impostos à fantasia do artista.

Academia
 
Mestre Marçal
 

BIOGRAFIA

Humberto Rui Marçal nasceu em Setúbal, em 1 de Janeiro de 1933.

Trabalha, desde 1970, na Oficina de Restauro de Documentos Gráficos do Museu Calouste Gulbenkian. É professor contratado de Técnicas Especiais (Cursos de Têxteis e Gráficos} na Escola de Artes Decorativas António Arroio, desde 1977.

Participou nos Congressos Conservation of Printing and Graphic (International Institute for Conservation}, em Lisboa, em 1972, e Conservação e Restauro na Fundação Calouste Gulbenkian. Frequentou o Instituto de Conservação e Restauro da Universidade Nicolau Copérnico, na Polónia, em 1976, tendo estagiado sob a orientação de Alicja Nicolaus Copernicus, e a Biblioteca Nacional de Florença, onde trabalhou com o químico Joe Nekrumah. Fez ainda estágios no Atelier de Litografia de Georges Bransen, em Paris, e na Editora Poligrafia, em Barcelona. Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, frequentou a Academia Real das Artes de Bruxelas e Liège. A frequência destas instituições, em particular a do Instituto da Universidade Nicolau Copérnico, conferiu-lhe uma vasta especialização nas técnicas de restauro de desenhos, gravuras aguarelas, pastel, etc.

Dirigiu e orientou diversos cursos e acções de formação, nomeadamente: Litografia, Gravura e Serigrafia na Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses; na Galeria Atelier Grafil, Lisboa; na Cooperativa Árvore, do Porto; no "Atelier Livre de Artes Plásticas" do Museu de Angra do Heroísmo; na Académie Royale des Beaux-Arts, de Liège; na Associação Cultural d 'Angra (Açores); no Museu Abade de Baçal, em Bragança; no Museu Soares dos Reis, no Porto; na Casa Museu Nogueira da Silva, em Braga; no Museu de Aveiro; no Museu Machado de Castro, em Coimbra; no Museu de Lamego; no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha; no Museu Francisco Tavares de Proença Júnior em Castelo Branco; no Museu de Évora; no Museu Rainha D. Leonor, em Beja; e no Museu Nacional de Arte Antiga (por ocasião da Exposição de Desenhos e Gravuras de Francisco Bartolozzi).

Fez parte da equipa de formação do 1º Curso de Técnicos de Conservação de Documentos Gráficos, promovido pelo Instituto Português do Património Cultural, de 1981 a 1983, e de uma acção dirigida a um grupo de elementos da ofícina de Restauro da Biblioteca Nacional, de 1988 a 1989.

Participou em seminários e foi orientador técnico de cursos e outras acções de formação, de que se destacam: o Curso de Formação nas Áreas de Gravura e Estamparia, na Escola Aberta Marquesa de Alorna, em 1975; o Curso de Formação na Area de Estamparia de Tecidos, na Escola Secundária dos Olivais, em 1984; o Curso de Gravura do Departamento de Arte da Escola Alemã de Lisboa, em 1992; o Curso de Formação Técnico-Artistica na Área da Gravura, na oficina d'Angra, em Angra do Heroísmo; e o Curso de Gravura na Oficina de Cultura, em Almada. No âmbito da sua actividade profissional, recuperou, no Centro Nacional de Calcografia e Gravura, uma série de valiosas gravuras do século XVIII, sendo responsável pela Área da Gravura do Centro Português de Serigrafia e Gravura.

Tem gravuras editadas pela Cooperativa Gravura de Lisboa, pelo Centro Português de Serigrafia e Gravura e pela Cooperativa Árvore, do Porto.

Está representado em diversas colecções particulares e oficiais, destacando-se o Gabinete de Estampas de Liège; o Centro Cultural do Domaine Provincial de Wégimont, Bélgia; o Ministério de Cultura; o Museu Municipal de Viana do Castelo; o Museu Grão Vasco, de Viseu; e o Museu de Angra do Heroísmo.

Participou em diversas exposições colectivas, designadamente na I, II e III Exposições Nacionais de Gravura; na Exposição de Gravura da Fundação Calouste Gulbenkian; na Exposição Itinerante de Gravuras da Colecção do Museu Gulbenkian; na II e III Bienais de Vila Nova de Cerveira; nas Bienais de Artes Plásticas dos Açores; na Casa da Cultura das Caldas da Rainha; na Galeria Grafil, em Lisboa; na Sociedade Nacional de Belas Artes; nas Jornadas de Divulgação da Arte em Portugal, na Casa do Alentejo, em Lisboa; no Museu de Liège (como artista convidado); na Exposição Comemorativa do Cinquentenário da Escola de Artes Decorativas António Arroio; no Casino Estoril (Apoio aos Artistas Moçambicanos); na I Bienal do Concelho do Sabugal; na Exposição Ibero-Americana de Artes Plásticas, em Sevilha; Dia Mundial do Ambiente na Câmara Municipal de Setúbal; na I Bienal de Gravura de Almada; nas I e II Bienais de Gravura da Amadora; na Triennal International Print Norewegian; na Galeria Margem, em Faro; nos Paços do Concelho de Aljustrel; no 10º Aniversário da Galeria Teoartis, Palácio D. Manuel, em Évora; e na exposição a favor da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral, em Braga.

Realizou exposições individuais no Museu de Angra do Heroísmo; na Mediathèque de La Comunauté de Belgique, em Liège; na Cooperativa Cultural Sem Margem, em Ovar; no Museu de Évora; na Junta de Turismo de Coimbra; na Junta de Turismo da Costa do Sol; na Cooperativa Árvore, no Porto; na Casa Municipal de Cultura, em Fafe; na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão; na Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto; no Museu Grão Vasco, em Viseu; no Museu Abade de Baçal. em Bragança; na Sociedade Portuguesa de Autores - Casa António Gião, em Reguengos de Monsaraz; na Casa Museu Nogueira da Silva, em Braga; no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha; no Museu Municipal de Viana do Castelo; em Arcos de Valdevez (por ocasião dos 850 anos dos Recontros de Valdevez); na Casa do Adro - Museu Municipal de Loures; na Casa da Cultura da Câmara Municipal de Braga; na Academia Internacional Liberdade e Movimento; na Quinta da Riba Fria, em Sintra; e no Centro Cultural do Município de Bragança.

Exposição
 

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Última actualização em 2004-12-28-->