Instituto Açoriano de Cultura
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Eventos de 1999
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Estudo para um Breviário Açoriano VIII
 
Dimas Simas Lopes
Pintura e Desenho
 

Realizado entre 24 de Setembro e 15 de Outubro de 1999.

Abertura foi a 24 de Setembro às 18.00 horas, no Palácio dos Capitães Generais Angra do Heroísmo. Inauguração com acto performativo sobre os Açores (Manoel Barbosa e Tânia Simas)

Na génese desta exposição está uma proposta, um desafio do Manoel Barbosa. Com efeito em Julho de 1997 numa visita à Caldeira do Faial o Manoel lançou o repto no sentido de fazermos, em conjunto, uma mostra cuja temática seria os Açores. Com gosto segui na aventura da criação de sensações que esta luz, esta terra, estes cheiros, estas forças, deste mundo, que é este arquipélago, despertam.

Que caminho percorrer para atingir este objectivo? Com desconhecimento mútuo do trabalho de cada um, múltiplas questões se me foram colocando. Que forma, que espaços preencher, que "inspirações" agarrar? Que exprimir? Como "vestir" a conceptualização? Marcar a obra com um título? Ele surgiu genérico, sumário – "Estudos para um breviário açoriano", abrangendo um conjunto de vinte e quatro peças, com técnica mista sobre tela.

Sem marcar ou situar, começam a surgir lugares, paisagens, sombras, tons, cheiros, sabores, superfícies, entranhas, fogo, humidades, temperaturas, ou somente cor, "tout court".

Nuas ou vestidas as imagens vão surgindo, sem pretensão de afirmar, dizer. Mostrando, sugerindo, sim. Verticais como são as ilhas, a pintura tomou essa forma, esse esqueleto. Depois há lembranças, sempre a memória das gentes, das cores, dos gestos e das coisas insignificantes. Uma memória que persegue e é presente, talvez alguma nostalgia de lugares, talvez uma perdida poesia de pequenas coisas.

A viagem, o vulcão, a bandeira, a festa, os foliões, o povo, figuras estimadas, a laranja, a terra e o mar, os verdes, a baleia, a bruma, o enxofre, o império, o anjo e o padre, o algar, o alguidar, as barras, os mistérios, o arquipélago. E a constância da presença de espaço. Não espaço como limite mas o espaço como forma, o espaço de representação e o lugar do diálogo da obra com o espectador. Um diálogo mais feito de perguntas, sem certezas, sem soluções. Em vésperas de uma nova era, de um outro século, é um tempo de revisitação, de voltar a olhar para trás, olhar o que já foi e escancarar todas as portas e os olhos para o que já vem a seguir.

O universo e o tempo desta exposição é açoriano como bem poderia ser outro. Ela, a Arte, quando existe, quando acontece, é universal. E no fim o que resta da pintura? O ponto, a linha, a cor.

Dimas Simas Lopes

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Última actualização em 2004-12-28