Instituto Açoriano de Cultura
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Eventos de 1999
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Manoel Barbosa
Pintura e Desenho
 

Realizado entre 24 de Setembro e 15 de Outubro de 1999.

Abertura foi a 24 de Setembro às 18.00 horas, no Palácio dos Capitães Generais Angra do Heroísmo. Inauguração com acto performativo sobre os Açores (Manoel Barbosa e Tânia Simas)

Açores. Em mim desde sempre não a distância mas uma ansiedade com retrocompulsões pela geohistórica. Menos o mar mais permanente, intenso fascínio por estas ilhas e géneses perfumadas com apaixonantes reordenamentos territoriais, sobrevivências, lutas, arrebatadoras e perturbantes visões, lendas e misteriosa Atlântida possível e eu pressinto-a em rostos, no enleante e espiritualizado véu, nas (des)compostas falésias, intrigantes serras, montanhas, vales, caldeiras, entranhas, lagoas, vegetações díspares, mundos aquáticos, em tudo a mão divina que assim que assim conjugou vidas, ausências, prazeres e nos direcciona olhares, sensibilidades, emoções, regressos. Algo me garante desconhecidas origens, inexplicadas existências para a estranha globalidade que memorizei para sempre nos dissemelhantes e aproximados céus, nas invulgares nuvens e brumas, exclusivos cinzentos fracturantes, místicas sonoridades, mutáveis odores, longínquos olhares, fabulosos e sempre distantes porque intocáveis locais, sobrenaturais energias em sentidos ímans protectores dos fulgurantes habitantes entre um suave e vivificante manto e uma ocultada passagemsó por vós compreendida, aceite. Por tal emanante.

Próximo destes corpos pela primeira vez sentidos em 1995, o iniciático sinal numa inesquecível composição geométrica de nuvens 15’ antes do surgimento da Terceira dentre apaixonantes, diversificados e escuros cinzentos desparecidos 20’ após, jáeu envolto no flash cristalino-multicolor da Serra do Cume. Os dias, as noites, o Tempo, espaços, ausências, presenças, distâncias, velocidades, pessoas, tudo, imediatamente me colou e transpôs para sentimentos, perscrutações, pulsações, amizades até sempre.

Há, sei que um íman memovimenta, direcciona para os Açores, para os desertos africanos e para quatro grandes cidades. Mas nos Açores sinto outro enleamento, a mente perturba-se e recria, a tensão descontrola-se e revigora-se, o corpo refaz-se até e pós momento duma in(?)corpórea unificação que só nós sabemos e sofremos. Assim foi durante as três viagens à Terceira, duas a São Miguel e ao Faial (com o Pico ali, oh!!), mais São Jorge e Graciosa vislumbrada em vôo.

Nesta exposição, o que vi, ouvi, senti e pressenti, na arquitectura, luz, impérios, lavas expelidas, ilhas-entre-brumas, igrejas, fumarolas, horizontes, solos, mar, céus, fissuras, artes, montanhas, espiritualidades, escarpas, odores, olhares, serras, oralidades, ruas, margens, vales, sabores, vegetações, areais, entranhas, festividades, sonoridades, afectos, esperas, cais, partidas-regressos, tempestades, alegrias, evacuações inter-ilhas, elegias, preocupações, orações e para melhor entender muito mais, tudo, também sobre vulcões activos e toda a crise sísmica em 97. Nesta ocasião entendi de vez o que, quem me rodeava, suportava e via.

Só consegui interpretar estas minhas vivências a partir de e não imaginam quantos cinzentos, negros, brancos, para chegar a estas cores. Sobre volumes incomuns, diversificados, finalmente surgidos depois de intensas lutas.

São assim os Açores, meses e meses revistos, recriados, com enormíssimas e revigoradas paixões, mais a responsabilidade e o prazer de expôr com Dimas Simas, excelente receptor-emissor de vidas e de místicas Açorianas.

Manoel Barbosa
Lisboa, 1999 Ago.

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Última actualização em 2004-12-28