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O Instituto Açoriano de Cultura, em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, realizou no dia 14 de Junho um Mini-Colóquio sobre Vitorino Nemésio, que teve lugar, pelas 21.00 horas, no Salão Nobre daquela Misericórdia, na Rua do Hospital, na Praia da Vitória.

Este Mini-Colóquio contou com a participação de dois professores da Universidade dos Açores, especialistas da obra nemesiana e com vasta bibliografia e participações em colóquios nacionais e internacionais sobre o escritor açoriano, António M. B. Machado Pires e Margarida Maia Gouveia, tendo sido o primeiro assistente universitário de Nemésio.
A primeira intervenção esteve a cargo de Machado Pires que apresentou uma conferência subordinada ao tema «Fontes Experienciais e Literárias do Corsário das Ilhas». Recorda-se que a obra Corsário das Ilhas foi um dos livros mais acarinhados por Vitorino Nemésio, não por razões eminentemente literárias, mas por razões afectivas (estava a acabar de rever o texto para a segunda edição quando faleceu). É um livro que combina reflexões sobre o passado e o presente das ilhas açorianas com evocações intimistas e dados biográficos. Uma análise do Espólio de Vitorino Nemésio levada agora a cabo por Machado Pires revela aspectos da génese do livro, que tem na base crónicas jornalísticas e de viagem e se transformou num dos volumes mais significativos do que ele chamou “Jornal de Vitorino Nemésio”.
A segunda intervenção, proferida por Margarida Maia Gouveia, é intitulada «”Silêncio é Peso de Deus” (Auto-Testemunhos Nemesianos)» e abordou aspectos relacionados com as preocupações religiosas de Vitorino Nemésio, que, de resto, ocupam lugar central na sua poesia a partir dos anos quarenta/cinquenta, e nunca o abandonam completamente.
A descoberta no Espólio de Nemésio de páginas intimistas até então desconhecidas, a par das quais a elaboração destes textos poéticos caminhou, constitui novos conhecimentos que permitem alcançar uma compreensão mais segura do pensamento espiritual deste notável escritor terceirense, cujo centenário do seu nascimento se comemora ao longo do corrente e do próximo ano.
Recorda-se que o Instituto Açoriano de Cultura, de entre outras actividades para assinalar esta efeméride, tem programada para a “Atlântida - Revista de Cultura” a edição de um dossier temático sobre Vitorino Nemésio, que integrará seis artigos de especialistas na sua obra, para além de um pequeno texto do seu filho, Manuel Nemésio, intitulado «”Eu, comovido a Nordeste” – (a Leste, a Norte, A Sul e A Oeste)». Deste dossier - cuja coordenação científica está a cargo do Prof. Doutor António Machado Pires - será feita uma separata da Revista, que conta para o efeito com o patrocínio da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória, concelho de onde era natural Vitorino Nemésio.
Por outro lado, está prevista também através do Instituto Açoriano de Cultura a apresentação nos Açores, no início de 2002, de uma exposição de originais do escritor, em colaboração com a Biblioteca Nacional, após a sua abertura em Lisboa no final do corrente ano Esta exposição é organizada pela Biblioteca Nacional e integra originais do autor que fazem parte do espólio do escritor pertencente a esta instituição. A sua inauguração nos concelhos dos Açores onde vier a ser realizada contará com conferências a cargo de especialistas.
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