Instituto Açoriano de Cultura
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Um lugar no mundo: Pedro Cabrita Reis

 

Exposição virtual

De 1 de Fevereiro a 1 de Março de 2002, esteve patente ao público no palácio dos Capitães Generais, uma exposição com vinte e uma obras deste pintor e, da qual, foi editado um catálogo. A inauguração da exposição contou com a presença do artista, da comissária, Dr.ª Marta Moreira de Almeida, conservadora do Museu de Serralves, para além do presidente do então Instituto de Arte Contemporânea, Arquitecto José Manuel Fernandes.

Pela primeira vez com uma apresentação individual nos Açores, Pedro Cabrita Reis ofereceu-nos, nesta exposição, um conjunto de treze auto-retratos (Os últimos, 1999), quatro serigrafias (E as estrelas do céu caíram na terra, 1996) e outras quatro obras de marcada expressão plástica datadas entre 1984 e 2001. Todas elas são obras que permitem um vislumbre sobre uma parte significativa do percurso deste artista que depressa se situa entre os mais destacados artistas plásticos portugueses dos últimos tempos e deste modo também ultrapassou as fronteiras de Portugal e projectou a sua obra pela Europa e pelos Estados Unidos da América.

Nesta circunstância, a presença da obra de Pedro Cabrita Reis nos Açores - e mais ainda, a sua própria presença na abertura desta exposição - foi motivo de plena satisfação e regozijo para todos nós.

Com mais esta exposição, Instituto Açoriano de Cultura continua a dar corpo ao seu projecto cultural que aposta em trazer aos Açores a obra dos mais destacados artistas plásticos portugueses da contemporaniedade, na convicção de que este contacto é um contributo de relevo para a construção da sua identidade cultural.

Neste quadro, não podem deixar de ser realçadas as instituições que, por diversos modos, contribuíram para a concretização de mais este passo neste projecto. Assim, permito-me salientar, entre outras, a Direcção Regional da Cultura dos Açores, a Companhia de Seguros Fidelidade, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Oriente, o Instituto de Arte Contemporânea e a Quinta da Nasce-Água.

Por último, uma referência à Fundação Serralves - Museu de Arte Contemporânea, entidade junto de quem o Instituto Açoriano de Cultura assegurou uma prestimosa colaboração que tornou possível a concretização desta etapa, muito especialmente através da Dr.ª Marta Moreira de Almeida que gentilmente aceitou comissariar esta exposição.

Jorge Augusto Paulus Bruno
Presidente da Direcção do Instituto Açoriano de Cultura

"Arte tem uma inteligência própria como a poesia ou a matemática. Nela tudo se integra, não sendo necessário ou sequer importante determinar fronteiras ou limites rigorosos para a influência, o peso ou o destino que cada coisa vista, sentida ou sonhada venha a imprimir à obra"

Pedro Cabrita Reis

A obra de Pedro Cabrita Reis (Lisboa, 1956) surgiu na década de oitenta atravessando a pintura e a escultura. Definidas por uma linguagem poética muito própria, de forte pendor antropológico, as suas criações começam a desenvolver uma particular sensibilidade para a ocupação do espaço, aproximando-se frequentemente do conceito de instalação, onde fragmentos domésticos irrompem em estruturas mais ou menos abstractas.

Um lugar no mundo: Pedro cabrita Reis

A utilização de um leque muito variado de materiais de grande simplicidade (madeira, vidro, plástico, acrílico, borracha, gesso, metal, linho, tela e feltro) e a combinação de memórias de gestos e acções da vida de todos os dias, acentuam o forte ímpeto metafórico que as suas criações sempre evidenciam. Acresce que o uso recorrente de jogos de luz e sombra ou de opacidade e transparência transportam consigo o peso de medições densas sobre a existência, isto é, sobre a vida e a morte. Aliás, o próprio artista já afirmou que a melhor definição de seu estatuto é a de um "produtor de memória", o que reitera a asserção de que as suas obras podem ser vistas como momentos de recolhimento essencial à transitoriedade inevitável da vida.

As suas obras bidimensionais revelam uma tensão primordial estruturada a partir de uma geometrização racional de espaço pictórico e uma informalidade mais próxima de uma subjectividade penetrante. Se algumas das pinturas exploram as composições abstractas e a cor enquanto veículos de comunicação estética, noutros casos, nomeadamente nos auto-retratos, predomina uma gestualidade que sublinha a relação mais vitalista que o artista mantém com o acto de desenhar. Trata-se, no fundo, de um diálogo que o artista mantém com as grandes tradições da história da arte moderna, como se estas servissem de terreno fecundo para uma criatividade que não se quer ver espartilhada por preceitos de ordem meramente estilística.

Marta Moreira de Almeida

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Última actualização em 2004-12-28