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Biblioteca Pública
e Arquivo Regional
de Angra do Heroísmo
8 a 15 de Março
de 2002
Numa iniciativa do Instituto Açoriano de Cultura e com a presença do Presidente da Federação Galega de Sociedades de Coleccionismo (FEGASOFI), D. Valentin Soarez Alonso, foi inaugurada no dia 8, pelas 18 horas, uma exposição iconográfica sobre Eça de Queiroz, cuja apresentação na Ilha Terceira tem por base o espólio particular do coleccionador Dr. Paulo Sá Machado, do Porto.
Esta exposição – que esteve patente ao público no átrio de entrada da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo até dia 15 de Março – é composta por uma grande variedade de elementos iconográficos de referência queirosiana, tais como bustos em gesso (que serviram de modelo a algumas das estátuas de Eça de Queiroz) que foram construídas no país), selos, medalhas, moedas, notas, postais ilustrados, calendários, cromos, cartões, gravuras, cartazes, catálogos, edições raras de obra de Eça, etc.
Na abertura da exposição, para além de uma intervenção do Presidente da Federação Galega de Sociedades de Coleccionismo (FEGASOFI), D. Valentin Soarez Alonso, que se deslocou à Ilha Terceira a convite do IAC, foi efectuada uma conferência com suporte audiovisual pelo coleccionador Dr. Paulo Sá Machado sobre o tema “Eça de Queiroz no Coleccionismo”.
EÇA É QUE É ESSA...
Visitámos os Açores nos anos 60, numa digressão do Orfeon Académico de Coimbra, e tivemos oportunidade de percorrer quase todas as ilhas, dando inolvidáveis espectáculos, que os retemos como uma das nossas melhores recordações de uma eterna Coimbra que nos marca a todos com um ferrete que, Graças a Deus, se mantém pela vida fora. Chegámos, na altura a Santa Maria, nosso primeiro espectáculo, e depois e no velho e legendário "Cedros" percorremos todas as ilhas com histórias que retemos como momentos inesquecíveis. Teve esta viagem um fim trágico, pois na hora do regresso e já com toda a comitiva no aeroporto, o nosso Grande Maestro e Amigo, Dr. Raposo Marques, um açoriano de gema, sentiu-se indisposto e veio a falecer na altura do embarque.
Mas deixemos este triste episódio para recordar que passados trinta e cinco anos, voltámos, no ano passado, e fomos surpreendidos por uma beleza natural digna e merecedora de figurar em todos os cardápios turísticos.
Que diferença, para melhor, muito melhor, verificámos, em todas as ilhas que tivemos oportunidade de visitar, e que tanto nos encantaram, não só pelo seu ambiente, mas também por uma população aberta, hospitaleira e amiga como recebe os forasteiros, marca indelével de um povo que bem merece o paraíso onde vive.
Como não poderia deixar de o fazer, já que tal está impregnado no sangue, e numa ânsia de tentar saber cada vez mais sobre todos nós, procurámos entrar em contacto com as pessoas e agentes de cultura.
Fomos cair, entre outras, nas mãos esclarecidas, sabedoras e simpáticas do Dr. Jorge Augusto Paulus Bruno, dinâmico e incansável Presidente do Instituto Açoriano de Cultura, que nos franqueou as suas portas e nos criou as possibilidades de estar presente, mais uma vez, nas Ilhas Encantadas com uma das colecções que ao longo da vida temos tentado completar: EÇA DE QUEIROZ – COLECÇÃO ICONOGRÁFICA.
Nesta está representado parte de um acervo, já que a sua totalidade seria impossível mostrar, não só pela quantidade mas também pela dificuldade de transporte, que esperamos venha a despertar, não só o interesse dos estudiosos, mas também e principalmente dos estudantes e do público em geral.
Estarão perplexos por não falar de Eça. Mas para quê falar de Eça se todos o conhecemos, lemos, admiramos, já que é um Mestre da Língua, de uma actualidade impressionante, que a todos inebria e cativa.
Eça é que é essa.
Março de 2002
Paulo Sá Machado
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