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Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada - São Miguel
15 a 30 de Maio 2003
Centro Cultural e de Congresso de Angra do Heroísmo - Terceira
14 a 30 de Julho 2003
Fábrica da Baleia - Horta, Faial
22 a 25 de Novembro

No âmbito da sua programação de exposições no domínio das artes visuais, o Instituto Açoriano de Cultura acolheu a mais recente obra de Eduardo Carqueijeiro, apresentando-a em três ilhas - São Miguel, Terceira e Faial.
As trinta pinturas de Eduardo Carqueijeiro que integram esta mostra foram concebidas no período de tempo que corresponde à sua permanência recente na Ilha do Faial e, deste modo, expressam o seu olhar e o seu sentir em relação à realidade que o tem rodeado nos últimos meses.
Com obra anterior já divulgada noutros locais, esta é, porém, a primeira vez que o autor expõe nos Açores, facto que suscitou interesse desta instituição na dinamização da usa apresentação.
Foi, assim, com plena satisfação, que o Instituto Açoriano de Cultura levou ao público, nos Açores, a obra que Eduardo Carqueijeiro criou inspirada neste universo arquipélagico.
O Presidente da Direcção do Instituto Açoriano de Cultura
Jorge Augusto Paulus Bruno

Pintura Eduardo Carqueijeiro – Faces do Sublime
A pintura de Eduardo Carqueijeiro tem uma relação antiga e complexa com o sublime. Foi algures no século XVIII que o sublime ganhou uma densidade especial como categoria estética. Primeiro nas filosofias da arte de Edmund Burke e Immanuel Kant. Depois na poderosa cosmovisão irradiando das telas românticas. Quem não se comove ainda, por exemplo, com a força desse mundo mágico de luz e sombra, terra e mar da Gotische Kirche auf einen Felsen am Meer (1815) de Karl Friedrich Schinkel?
O sublime não os transporta apenas para o domínio do simplesmente belo, das harmonias e boas formas. O sublime é o veículo da inquietação, despertando em nós o cuidado e a atenção. O sublime alimenta-se num misto de "temor e tremor", para citar Kierkgaard, o teólogo que mais aproximou o sentimento religioso da estética do sublime. Nas telas de Eduardo Carqueijeiro as faces do sublime não se dissimulam. As suas representações manifestam o tempo e o lugar. Abunda a marca de lugares natais, como a Arrábida ou o Sado, ou de pátrias de íntima adopção, como os Açores, e em particular o grupo central onde pontifica essa telúrica arca da aliança que é o Pico, unindo o mundo subterrâneo de lavas ardentes, submersas no álgido Oceano, arremetendo para a cinza azul e infinita do Céu.
Em Eduardo Carqueijeiro o sublime tem pelo menos duas faces. A primeira revela-se na transparência procurada das coisas. De preferência as mais puras e elementares. Falésias de basalto mergulhando no mar iluminado pelo luar, aves brancas como a espuma rebentado junto ao litoral, ou a impressão de nuvens dispersando-se entre cumes. Mas, essa face conduz à segunda, do mesmo modo que uma representação reconduz a uma vontade, ou um objecto ao olhar que o perspectiva. Nas obras de Eduardo Carqueijeiro não se simula nem uma objectividade impossível, nem um subjectivismo redundante e rebuscado. O sublime é essa via aberta para a dupla grandeza que torna o mundo numa experiência exaltante: a fecundidade matricial e resiliente da Natureza nos seus rostos infinitos -- que reconduz a futilidade humana à sua merecida escala -- e a imaginação criadora, que nos faz acreditar em que, apesar de tudo, talvez faça algum sentido existirem seres humanos sobre a Terra.
Viriato Soromenho Marques
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