Instituto Açoriano de Cultura
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Eventos de 2003
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Fotografia Jorge Molder
 

Angra do Heroísmo
Palácio dos Capitães Generais e Museu de Angra do Heroísmo
26 de Setembro a 24 de Outubro de 2003

Ponta Delgada
Academia das Artes dos Açores
20 de Novembro a 20 de Dezembro

O Trabalho de Jorge Molder, artista que usa a fotografia como sua forma expressiva, é sobre a duplicidade. Esta duplicidade parte de um outro, personagem que o artista constrói a partir da utilização do seu próprio corpo em auto-retratos - que deixam de o ser porque a figura que neles surge não resulta de nenhuma busca de autenticidade no interior do seu autor, mas, pelo contrário, é uma figura ficcional. A característica mais marcante desta persistência na duplicidade é a sua não-resolução numa narrativa.

As fotografias que Jorge Molder produz em séries não procuram, portanto, construir uma narrativa, uma história, mas sinalizar áreas de ficção que se relacionam com referências literárias, cinematográficas e artísticas, ou quotidianas. Estas referências ligam-se de uma forma frequentemente intuitiva e não obedecem a um programa ideológico de estabelecimento de um universo. Pelo contrário, definem, de uma forma fluida, uma extensa rede de possibilidades combinatórias.

Assim, quer através da utilização de fotografias a preto e branco de grande formato, que na utilização de polaroids (Molder usa uma SX 70), quer ainda através da utilização e chapas de zinco impressas em positivo, ou mesmo nas suas mais recentes explorações da imagem videográfica e seus correlatos digitais, o artista define um ambiente, uma teia de relações, frequentemente melancólicas, em torno de um universo povoado de espelhos.

Esta forma de porcedimento de Jorge Molder consubstancia-se num paradoxo:

Por um lado, as suas imagens, são, facticamente, simples: são retratos em que o artista se utiliza como modelo, sobretudo nos trabalhos posteriores a 1987, em situações que são simples e secas (o personagem retratado olha, está deitado, assume uma pose). Por vezes, como acontece nalgumas séries, existem imagens de objectos (como em The portuguese Dutchman, Conrad ou The secret Agent); ou então, o que é característico das séries mais recuadas, apresenta lugares, frequentemente espaços interiores (como em Zerlina).

Por outro lado e aqui reside o carácter paradoxal - estas imagens constroem uma complexidade.
Esta complexidade surge a partir de definição de universos que se envolvem mutuamente, como caixas de segredo. Dentro de cada caixa está sempre uma outra, definindo uma imensa teia de relações e remissões que, paa o espectador, funciona como um enorme puzzle.

Por último, e para estabelecer um primeiro quadro sobre a obra de Molder, resta acrescentar que a escala das suas imagens é de rigorosa importância. Esclareça-se que escala não é igual a dimensão. A escala é uma relacção e obedece a opções muito precisas por parte do artista, que tem utilizado dimensões diversas para as suas imagens, desde o tamanho íntimo e precioso da Polaroid, até à grande dimensão de algumas series recentes. A ampliação de fotoggrafias para uma dimensão de cerca de 1 metro quadrado, ou mesmo mais (em duas series recentes usou 1,20mx1,20m), faz com que a imagem fotográfica não se deixe cativar da pura opticalidade, mas, peo contráriom defina um campo de relação corporal com o observador, embora na utilização do pequeno formato (nos zincos e nas polaroids, que o artista nunca amplia) essa opticalidade seja utilizada como dispositivo de referência espacial, fazendo-nos aproximar de imagens que por vezes são quase miniaturas.

As suas imagens são, portanto, imagens corporalizadas, (porque apelam para a nossa auto-consciência corporal) inscrevendo-se, nesse sentido, na tradição nascente a partir dos anos sessenta, de desprendimento da fotografia em relação aos seus parâmetros ópticos e reprodutivos de presença.

Trata-se em qualquer dos casos, de imagens que são concebidas para serem vistas e cuja reprodução não substitui, em caso algum, a sua presença.

Nasceu em Lisboa em 1947. Estudou Filosofia.
Vive e trabalha em Lisboa.

Exposições Individuais (Selecção)
(Período de 1990 a 1999)

1999 Nox
XLVIII Bienale di Venezia, Palazzo Vendramin dei Carmini, Veneza
Anatomia e boxe
Interval, Witten
1998 CD
Galeria Pedro Oliveira, Porto
Insomnia
Galerie Municipale du Château d'Eau, Toulouse
Photographs
South london Gallery, Londres
John Hansard Gallery, Southampton
Trabalhos de Precisão
Galeria Pedro Oliveira. Porto
1997 Anatomia e boxe
Centro Português de Fotografia, Porto
1996 TV
Galeria Pedro Oliveira, Porto
1995 INOX
Centro Nacional de Cultura, Lisboa
Galerie Farideh Cadot, Paris
1994 The sense of the sleigh-of-hand man
Jayne Baum H. Gallery, Nova Iorque
Por aqui quase nunca ninguém passa
XXXII Bienal de São Paulo, São Paulo
1993 História trágico-marítima (projecto)
Centre Georges Pompidou, Paris
Zerlina, uma narrativa
Paço Imperial, Rio de Janeiro
Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo
1992 Insomnia
Cahors Festival, Cahors
Derby Photo Festival, Derby
1991 Trabalhos anteriores (em colaboração com António Cerveira Pinto)
Convento de São Francisco, Beja
The Secret Agent
Galeria Cómicos, Lisboa
Joseph Conrad
Galeria Cómicos/Ministério das Finanças, Lisboa
1990 Molder, photographie, matière, lumière
Contretype, Bruxelas
Photographies
Artotèque de grenole, Grenole
The Portuguese Dutchman
Imagolucis, Porto
Eventos a decorrer
Eventos previstos
Eventos passados
Última actualização em 2004-12-28