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Apresentação no Palácio dos Capitães Generais, Angra do Heroísmo
O IAC-Instituto Açoriano de Cultura, em parceria com a Casa da Cultura da Terceira, leva a efeito a apresentação da exposição “João Correia Rebelo — Um Arquitecto Moderno nos Açores”, no Palácio dos Capitães Generais, em Angra do Heroísmo, de 21 de Outubro a 12 de Novembro.
Nascido em Ponta Delgada em 1923 e formado pela Escola de Belas Artes de Lisboa, João Rebelo – filho do consagrado Pintor Domingos Rebelo – estabeleceu-se na sua cidade natal após a obtenção do diploma de arquitecto. A dificuldade em exercer plenamente a profissão segundo os princípios em que acreditava levou-o de novo ao Continente, de onde, em 1969, emigrou para o Canadá.
João Correia Rebelo era um homem de convicções. Como muitos arquitectos da sua geração acreditava que a arquitectura e o urbanismo propostos pelo Movimento Moderno haveriam de mudar o Mundo para melhor. Não concebia nem aceitava uma arquitectura que não recorresse às possibilidades técnicas e materiais do seu tempo, que não fosse a expressão inequívoca desses recursos, das funções a que se destinava, de um desígnio social. Distinguiu-se pelo modo particularmente aguerrido e intransigente com que defendeu aqueles ideais e por ter tentado fazê-lo não só através dos seus projectos mas também, caso único no Portugal dos anos 50, pela publicação de verdadeiros manifestos.
Significativamente, a obra mais emblemática deste arquitecto, que corresponde a uma fase de criação mais madura, situa-se na Ilha Terceira e é a conhecida Estalagem da Serreta, imóvel mandado construir pelo então Sindicato Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (1963-1969). Hoje este edifício, pese embora o estado de acelerada degradação em que se encontra, é considerado como uma obra de referência no panorama das produções arquitectónicas resultantes do chamado segundo modernismo que ocorrem em Portugal nos anos sessenta do Século XX.
De acordo com o comissário da exposição, Arq. João Vieira Caldas, “a Estalagem da Serreta, é de um internacionalismo domesticado, evidencia o limiar da serena maturidade”. Ainda segundo João Vieira Caldas, o edifício é “aconchegado ao terreno, em comunhão com a paisagem, articulado segundo funções internas, coberto com uma sucessão de telhados/carapaça”.
Esta exposição – organizada a partir de uma vasta investigação feita com base no seu espólio que para o efeito foi confiado ao IAC-Instituto Açoriano de Cultura pela família e comissariada por uma equipa chefiada pelo Arqº João Vieira Caldas – pretende chamar a atenção para a obra e para a pertinência das posições defendidas por este arquitecto pouco conhecido nos próprios Açores, numa perspectiva mais genérica de divulgação do património moderno.
A exposição, intitulada “João Correia Rebelo — Um Arquitecto Moderno nos Açores”, contou com patrocínios de diversas entidades, com especial destaque para a Direcção Regional da Cultura e para o extinto Instituto de Arte Contemporânea/Ministério da Cultura (hoje Instituto das Artes).
A sua primeira apresentação teve lugar na Academia das Arte dos Açores, em Ponta Delgada, em Fevereiro de 2003. A seguir esteve patente ao público na Casa da Cerca/Centro de Arte Contemporânea (Câmara Municipal de Almada), de Abril a Junho, e em Montreal, na Casa dos Açores do Quebeque, em Novembro desse ano. Já no corrente ano foi apresentada na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (Fevereiro) e em Lisboa, na Sociedade Nacional de Belas-Artes (Junho/Julho), e agora, finalmente, é exposta em Angra do Heroísmo (Palácio dos Capitães Generais) de 21 de Outubro a 12 de Novembro.
2004-10-19
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