Angra do Heroísmo - Salão Nobre do Palacete Silveira e Paulo 10:30h
Dia 8 de Janeiro de 2005
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Com a participação de profissionais da comunicação social das ilhas Terceira e São Miguel, bem como de órgãos de comunicação social de referência a nível nacional, a Casa da Cultura da Terceira e o IAC-Instituto Açoriano de Cultura promovem o colóquio A Cultura depois da Notícia, na sequência duma cooperação que as duas instituições vêm mantendo desde 2001 na promoção da discussão pública em domínios diversos da actividade criativa com impacto social.
O evento terá lugar no Palacete Silveira e Paulo, em Angra do Heroísmo, com início pelas 10H30 do sábado dia 8 de Janeiro de 2005, sendo a primeira parte composta por comunicações dos jornalistas de órgãos de comunicação social da Terceira RAFAEL COTA, ARMANDO MENDES, RUI MESSIAS e MARTA SILVA, bem como de PEDRO ARRUDA, da Revista Ilhas, de Ponta Delgada. De tarde, a partir das 14H30, intervirá a jornalista LUCIANA LEIDERFARB, da Revista Actual / Semanário Expresso, e o editor do Jornal de Letras JOSÉ MANUEL RODRIGUES DA SILVA, seguindo-se um debate com a participação de todos os intervenientes no colóquio.
O Objectivo
A iniciativa parte da constatação de que, apesar da actividade cultural que marca hoje o quotidiano da Terceira ser relativamente intensa, a actividade jornalística a jusante da notícia é praticamente inexistente na ilha e na Região, por motivos diversos, sendo alguns facilmente identificáveis e compreensíveis, e permanecendo outros, e mesmo aqueles, por discutir publicamente e com profundidade. Na convicção de que a cobertura informativa e a crítica de eventos culturais são factores condicionantes da qualidade desses eventos, o objectivo que se persegue é a procura de soluções para aquela carência, pela análise crítica da prática local neste domínio e pelo testemunho de outras experiências.
A Reflexão
Para reflexão, propõem-se três afirmações: Na cultura, a cobertura informativa e a crítica de eventos culturais é praticamente inexistente na ilha e na Região; notícias sobre a cultura não são cultura, mas a cobertura informativa e a crítica são-no; A cobertura informativa e a crítica são factores condicionantes essenciais da qualidade dos eventos culturais!
Formulam-se também quatro perguntas: Que dificuldades têm os OCS da ilha e da Região em dar ”resposta” ao que parece ser uma necessidade fundamental da cultura; Que responsabilidades têm as entidades promotoras, públicas e privadas, na situação de praticamente inexistência de cobertura informativa e de crítica de eventos culturais na ilha e na Região; Que soluções existem e quais são as responsabilidades públicas na concretização dessas soluções; Que importância têm testemunhos de outras realidades mais dinâmicas, eficientes e exigentes na procura dessas soluções?
A própria formulação do problema coloca as entidades promotoras desta iniciativa numa atitude crítica face aos OCS - a cobertura informativa e a crítica de eventos culturais é praticamente inexistente na ilha e na Região -, mas a iniciativa visa a análise aberta, descomplexada e muito objectiva, não apenas da prática local neste domínio por parte dos órgãos de comunicação social como também das hipotéticas responsabilidades e ineficiências das instituições privadas, e sobretudo públicas, que promovem e/ou apoiam realizações culturais. Esta abertura e objectividade descomplexada é claramente assumida na constituição do painel que se propõe para o testemunho e o debate público, integralmente constituído por profissionais da rádio, televisão e imprensa escrita locais e de jornais de referência ao nível nacional.
NOTA BIOGRÁFICAS
José Manuel Rodrigues da Silva Nasce em Lisboa em 1939. Licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1964, com tese de licenciatura sobre a Revolução de Pernambuco de 1817, foi vice-presidente da Associação de Estudantes de Letras durante a greve de 1962. Professor de História no Liceu D. João de Castro, é expulso do ensino oficial por informação da PIDE (1968), depois de ter sido proibido de dar aulas no ensino particular, por informação da mesma polícia política. Entra para o Diário Popular em 1968, onde é editor da secção de Cultura e Espectáculos e crítico de cinema. Em 1988 entra para o Diário de Lisboa e em 1990 ingressa no semanário O Jornal . Em 1992, entra para O Jornal de Letras, onde é chefe de Redacção-Editor até hoje, acumulando com crítica de cinema. Tem também colaboração dispersa em revistas, agência Reuter e RDP e fez reportagens em Espanha, França, Itália, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha, República Checa, Brasil, Líbia, Cabo Verde e Moçambique, bem como em Portugal Continental, Açores, Madeira e Porto Santo. Professor de Iniciação ao Jornalismo e de Comunicação e Difusão no Ensino Secundário. Militante do PCP, dirigente nacional e várias vezes candidato a deputado pela UDP.
Luciana Leiderfarb Nasce em Buenos Aires em 1971, onde vive a sua infância e adolescência. Conclui o ensino secundário e realiza estudos musicais no Conservatório Municipal «Manuel de Falla». Aos 18 anos muda-se para Lisboa, ensina piano a crianças na Guarda e em Castelo Branco. Em 1992 começa a escrever no Jornal de Letras e logo a seguir recebe um convite da Antena 2 para fazer crítica musical no programa «Allegro Vivace». No âmbito da sua ligação àquela emissora, será autora de vários programas até 2001. Entretanto, licencia-se em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa e inicia, em 1996, uma intensa colaboração com o semanário Expresso como jornalista na área cultural. Colaborou igualmente com outras publicações, como a Construções Portuárias e a Ler. Integrou recentemente a equipa do documentário «Buenos Aires Hora Zero», realizado por José Barahona. Hoje em dia, continua no Expresso e mantém uma colaboração regular com a revista espanhola Scherzo.
Pedro Arruda Nasce em Lisboa em 1974, onde vive e estuda até aos 22 anos, quando conclui uma licenciatura em História na Universidade Autónoma de Lisboa. Ao longo dos anos de estudo alimenta interesses nas áreas do desenho,cinema, poesia, dos estudos olisiponenses, com cursos em diversas instituições. Viaja pelo México e sul dos Estados Unidos, e em 1998 vem viver para os Açores, onde desenvolve actividades nas áreas do turismo, agricultura, defesa do património, cultura e os media. Participa na edição da revista ILHAS, uma publicação de cariz cultural e artístico, para além de incrementar actividades no âmbito da cultura contemporânea e das novas tendências, nomeadamente, festivais de cinema de animação, mostras de teatro, exposições e concertos.
Marta Silva Licenciada em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, estagiou na Rádio Renascença e na TVI. É jornalista na RTP-Açores, onde tem sido autora de programas e apresentadora. Foi responsável pelo programa semanal Escolhas, dedicado à agenda cultural, e mais recentemente passou pela experiência da grande entrevista com o programa Ficheiros Pessoais. Leccionou a disciplina de História da Comunicação no curso de Comunicação/Marketing, Relações Públicas e Publicidade, a convite da Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo.
Armando Mendes Nasceu em 1962 na ilha Terceira. Licenciado em História Científica, tem uma Pós-Graduação em Direito Regional e é mestrando em Relações Internacionais. Concluiu o curso de Jornalismo do Centro de Formação de Jornalistas do Porto e é profissional da comunicação social desde 1979. É Chefe de Redacção do Diário Insular e jornalista da Antena-1/Açores. Já proferiu conferências sobre Relações Internacionais, Estratégia, o Poder Local e o fenómeno da Globalização em diversas iniciativas nos Açores, em Portugal Continental, nos Estados Unidos da América e no Canadá. Tem publicados artigos e ensaios sobre Relações Internacionais e Estratégia em diversas revistas e actas de colóquios.
Rafael Cota Nasceu em 1949 na ilha Terceira. Entre 1970 e 1975 foi oficial da Força Aérea Portuguesa, tendo prestado serviço na Base Aérea 4, nas Lajes. De 1975 a 1977 foi director do então designado Emissor Regional dos Açores. Durante vários anos foi coordenador do jornal Diário Insular, de Angra do Heroísmo, colaborador do Açoriano Oriental, de Ponta Delgada, e correspondente do Diário de Notícias, de Lisboa. Foi adjunto para a Comunicação Social do Ministro da República para os Açores. É Jornalista da RDP desde 1977, sendo actualmente Chefe de Serviço no Centro de produção de Angra do Heroísmo da Antena-1/Açores.
Angra do Heroísmo 30 de Dezembro de 2004
Rafael Barcelos, director da Casa da Cultura da Terceira
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