Instituto Açoriano de Cultura
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Eventos de 2005
Projectos Agenda Livraria virtual o IAC
 
Slogan's (objecto)
Técnica - Offset s/ alumínio
Ano - 1978
Dimensões - 21.5 x 15.5 cm
Outono - (instalação)
Técnica - Madeira, acrílico s/ tela
Ano - 2004
Dimensões - 45 x 38 cm
4º Dia  de " Os Dias da Criação"
Técnica - Acrílico s/ tela
Ano - 2003
Dimensões - 35 x 27 cm
 
Emília Nadal
Exposição «Canção da Terra»
 

Palácio dos Capitães Generais, Angra do Heroísmo
4 de Março a 1 de Abril de 2005

Ponta Delgada – Academia das Artes dos Açores
28 de Abril a 28 de Maio de 2005

«Canção da Terra» é o titulo da exposição de Emília Nadal que o IAC-Instituto Açoriano de Cultura apresenta nos Açores, em Angra do Heroísmo e em Ponta Delgada, inaugurando, deste modo, o seu programa de exposições, no domínio das artes visuais, para o corrente ano de 2005.

Continuam, assim, as artes visuais a ocupar um dos eixos operativos mais importantes no âmbito do projecto cultural do IAC-Instituto Açoriano de Cultura, ao qual são reservados apreciáveis recursos não só logísticos como também financeiros. Esta exposição, a primeira de um conjunto que se seguirá, é realizada em colaboração com a Sociedade Nacional de Belas-Artes e com a Academia das Artes dos Açores e integra vinte obras (todas elas, à excepção de Slogan's, datadas já do corrente século) que representam o resultado de um percurso de criação coerente e qualificado que é reconhecido à Pintora Emília Nadal. 

Com efeito, constitui para o IAC-Instituto Açoriano de Cultura um momento de especial significado esta oportunidade de acolher nos Açores a obra de Emília Nadal, reforçado ainda pelo facto de, no corrente ano de 2005, esta instituição assinalar os 50 anos de sua criação, em 1955.

Jorge Augusto Paulus Bruno
Presidente da Direcção do IAC-Instituto Açoriano de Cultura

Pintura de Emília Nadal
A Canção da Terra

"(...) puro espaço primordial e fonte das energias da vida"
Vasco Graça Moura.

Emília Nadal representa na arte contemporânea portuguesa um expoente de uma estética feminina, considerando esta não como um atributo da mulher, mas como uma vertente, a mais nobre, da sensibilidade voltada para uma interioridade musical que bem podemos associar à "anima", de que tanto e tão bem falou Gaston Bachelard. A "anima", desvelar da vertente oculta dos aspectos, luz que atravessa o rosto alado das coisas devolvendo-lhes a sua pureza e beleza originais.

A artista consolidou na Escola António Arroio e na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, uma formação cultural abrangente e a mestria no domínio dos meios plásticos que utiliza, uma forte componente de desenho em diálogo com a pintura que desde o início da década de 70 se tem vindo a caracterizar por um misto de classicismo e de fascínio pelos temas e abordagens da modernidade. As suas primeiras preocupações relacionam-se com a tentativa de reinventar um espaço tridimensional, regido pelas leis da perspectiva, mas invadido ao bom modo magritteano pelas imagens de um subconsciente cheio de brilhantes metáforas evocadoras não apenas das fantasias pessoais, mas, por vezes citando Bosch, de toda uma plêiade de fantasmas produzidos pelo mal-estar da civilização já diagnosticado por Freud.

As suas famosas caixas (surgidas nos anos 70) cuja presença, muito embora diluída, até hoje se mantém, marcam precisamente o espaço de uma metáfora pessoal, a de um inconsciente fértil e criador que se vai alimentando ao correr dos anos com as marcas da sociedade de consumo, chegando a transformar-se (nos anos 70 e 80) por influência pop em verdadeiras "embalagens de ideias e de imagens", ícones desmitificadores das mitologias modernas catalogadas por Roland Barthes.

A pintura segue no entanto o seu fluxo libertador sob a influência regeneradora da cor-luz em ritmos oblíquos das paisagens dos anos 80, matéria translúcida de sonhos coloridos, céus onde estremecem as asas da manhã, oásis luminosos onde se misturam e encantam vastos mares, íntimos tecidos de horizontes imensos. Meditação sobre uma luz e um espaço primordiais evadindo-se das encenações do visível, demanda visionária de um além que parece situar-ser bem no cerne de um universo que oscila entre o ovo, símbolo cosmogónico por excelência e a memória antecipada do Apocalipse. Até à pura atracção pela figuração da luz que o cavalo apolíneo, tal como o anjo, dócil mensageiro do divino, sintetiza, já na década de 90.

No breve percurso que realizámos através dos 30 anos de pintura de Emília Nadal somos hoje levados à revelação que representa o actual momento do seu trabalho, a canção da terra, de uma terra finalmente devolvida no imaginário da pintora, à luz que é sua vocação primeira e que precisamente neste fim de tarde, na magia do acaso e do ocaso, o sol derrama sobre a cidade, apoteose de ouro. A realidade pode unir-se ao sonho, bodas de sentido alquímico que presidem ao élan de todo o grande criador. Trabalho a solo sob o signo da música, este belíssimo conjunto parece ser o resultado de um longo périplo pelas vicissitudes da vida e surge carregado da beleza inaudita do Mito que enforma todos os mitos, a criação do mundo. Luz e música fluem na pincelada incomparável de Emilia Nadal, simples e clara como a dos mestres do Oriente. Entre esmeraldas verdes e laranjas das árvores do paraíso, perpassam folhas que são já vestígios de uma alegria breve. Breve e mágica, puríssima como a vida, como a vida destas imagens.

Maria João Fernandes

Emília Nadal
Curriculum

Natural de Lisboa, cursou a Escola de Artes Decorativas António Arroio. Terminou o Curso Superior de Pintura da ESBAL em 1960. Cursos Gravura na Cooperativa Gravura.

Prémios Anunciação e Lupi de Pintura da Academia Nacional de Belas Artes. Menção no XVI Prémio Internacional de Desenho Joan Miró. Prémios de Edição na Iª e IIª Exposição Nacional de Gravura. Bolseira da Fundação Gulbenkian para a criação de “Embalagens para Produtos Naturais e Imaginários Liofilizados” nas áreas da pintura, desenho, gravura, objectualismo e video-performance. Expõe desde 1957 e participou em numerosas exposições colectivas e de grupo em Portugal, Espanha França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Brasil, Alemanha, Nova Zelândia, Bulgária, Polónia, ex-Jugoslávia e Japão.

Exposições Individuais (selecção)

1973 – Lisboa, Galeria Ottolini.
1976 – Lisboa: Galeria de Arte Moderna – SNBA.
1976 – Madrid: Galeria PROPAC.
1977 – Porto: Centro de Arte Contemporânea- Museu Nacional Soares dos Reis.
1977 – Lisboa: Galeria Dinastia.
1978 – Madrid: Galeria Yguanzo
1978 – Lisboa: Galeria 111.
1979 – Porto: Galeria Zen.
1981 – Coimbra: Círculo de Artes Plásticas.
1983 – Porto: Galeria Zen.
1983 – Vila Real: Fundação - Casa de Mateus.
1984 – Funchal: Galeria Quetzal.
1986 – Lisboa: Galeria S. Mamede.
1987 – Lisboa: Galeria S. Mamede.
1988 – Paris, Centro Cultural da Fundação Gulbenkian.
1988 – Lisboa: Museu Nacional do Traje.
1989 – Macau: Arquivo Histórico.
1989 – Lisboa, Galeria S. Mamede.
1993 – Lisboa: Galeria S. Mamede.
1995 – Évora: Eborensia Galeria.
2004 – Fátima: Galeria S. Miguel.
2005 – Angra do Heroísmo: Palácio dos Capitães Generais.
2005 – Ponta Delgada: Academia das Artes dos Açores

Exposições Colectivas (recentes)

2000 – Lisboa,“Mote e Transfigurações”, S.N.B.A.
2001 – Monte da Caparica “Silent Life” Festival dos Capuchos.
2002 – Lisboa,“Cem Anos, Cem Artistas”, S.N.B.A.
2003 – Vila Nova de Cerveira, XIIª Bienal Internacional de Arte Contemporânea.
2003 – Amarante, Exposição do Prémio Amadeu de Souza-Cardoso.
2003 – Lisboa, “Percursos de um Dramaturgo”, Museu Nacional do Teatro.
2004 – Lisboa, “Os Poderes da Arte”, Supremo Tribunal de Justiça.
2004 – Lisboa, “Em nome do Espírito Santo”, Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Desenhou cenários e figurinos para o Ballet Gulbenkian, Teatro Nacional de D. Maria II, ACARTE -Teatro Experimental de Cascais. Realizou um mural para a Biblioteca João Paulo II-UCP de Lisboa, e instalações para o Festival dos Capuchos e para o Centro Cultural de Belém (Natal-2000). Realizou uma intervenção em vídeo sobre a composição musical “Iris”, de João Pedro Oliveira, integrando o processo da pintura (XIX Festival de Música de Leiria - 2001) e o projecto de remodelação dos espaços do altar e do presbitério da Sé de Faro (2003).

Está representada com pintura, desenho e objectos nas colecções do CAM - Fundação Gulbenkian, da Galeria de Arte Contemporânea do Funchal, da Caixa Geral de Depósitos e do Banco Comercial Português, do Museu de Serralves, do Museu Sintra-Arte Moderna, Colecção Joe Berardo, do Centro Cultural de Belém e do Museu-Colecção José-Augusto França, em Tomar.

Preside à Direcção da SNBA, que representou no Conselho Nacional de Educação e para o qual elaborou um Parecer (com Jorge Barreto Xavier) sobre “Educação Estética, Ensino Artístico e sua Relevância na Educação e na Interiorização dos Saberes”. CNE-1998.

 

Eventos a decorrer
Eventos previstos
Eventos passados
Última actualização em 2005-02-21