Instituto Açoriano de Cultura
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Eventos de 2005
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Jorge Vieira
Exposição de desenhos
 

Ponta Delgada, Academia das Artes dos Açores
24 de Novembro a 15 de Dezembro de 2005

Angra do Heroísmo, Palácio dos Capitães Generais
13 de Janeiro a 3 Fevereiro de 2006

Jorge Vieira a escultura no papel

Podem ser feitas diferentes abordagens ao Desenho de Jorge Vieira, não apenas dentro das diversas tendências da Crítica, mas porque os próprios desenhos nos motivam reflexões variadas. Como esta que se propõe falar dos seus desenhos como esculturas que ficaram no papel. Durante anos, praticamente até aos setenta anos de Jorge Vieira, a Crítica de Arte como Disciplina, ou simplesmente como género literário ou jornalístico, não se mostrou capaz de abordar o seu trabalho. Estava ainda, ela também, a sair de um período da "arte pela arte", carecida de instrumentos e conceitos suficientemente articulados entre si, aprisionada na estética romântica persistente. Incapaz de ler em profundidade as diferentes componentes das obras e de as situar no seu tempo e no seu lugar, sem preconceitos e sem recorrer a modelos de validação estrangeirados. Este estado da Crítica empurrava para a obscuridade qualquer experiência que não repetisse outra já creditada, ou mesmo qualquer outra actividade das artes visuais que não fosse a Pintura ou Escultura ou Arquitectura. (Lá estava Francastel a prevenir contra as actividades projectuais envolventes, que segundo ele seriam incapazes de produzir qualquer forma original).

Também ela, a Crítica, como todas as outras actividades, vivia um estado de coisas onde predominava o pensamento reaccionário duma burguesia ciosa de segurança. Estado de coisas nada propício a atitudes mais audaciosas e perigosas, se assumidas "por escrito". Alguns críticos, pretendendo ser audazes, recorriam ao “faz-de-conta" duma linguagem modernizante para defender ideias conservadoras. Só muitos anos depois é que a Nova História e uma geração de jovens historiadores de Arte, que articulavam História com Crítica de Arte, passaram a dispor de instrumentos de análise e de conceitos importados doutras disciplinas e a elaborar critérios objectivos baseados na produção material dos artistas, na reacção do público destinatário das suas obras, no quadro complexo das relações entre Arte e Sociedade. Foi assim que o Jorge Vieira foi "descoberto", centenas de esculturas e milhares de desenhos depois, aos setenta anos de idade!

Continua-se, ainda assim, a não ser possível "encaixar" numa corrente reconhecida o modo e a prática de Jorge Vieira.

O seu confessado, mas não arregimentado, desempenho surrealista dum desenho automático e, em algumas peças, uma aproximação lateral à forma do neo-realismo, não eram suficientemente afirmativas para que fosse encaixado numa dessas categorias da crítica. Um figurativo-absfracionista, um primitismo etnográfico e uma espécie de desconstrução dilacerante da figura humana tão pouco o permitiam. Aceitar um surrealismo que fosse a afirmação dum impulso inconsciente não se casaria bem com o

seu sentido anarquizante da realidade, extremado pela sua aversão ao poder político de então. Aceitar a sua expressão popular mediterrânica (vicentina?), como neo-realismo unívoco e como movimento cívico de oposição ao sistema que queria contestar, retirava-lhe a visão prospectiva das coisas ainda não acontecidas por que documentava criticamente o que já estava a acontecer.

Também a tentativa que fez de aproximação entre a esfera da criação artística e a esfera da actividade projectual para a construção e para a produção industrial, que revelaram outro dos seus impulsos generosos para a transformação da sociedade, não foram além duma honesta actividade (era preciso ganhar a vida!), e não lhe foi possível substituir o "modelo aleatório" da produção artística pela "metodologia" do Projecto. Jorge Vieira fica na expectativa entre duas atitudes de vanguarda: a que se fideliza a uma "criação"

artística e a que adopta a "metodologia" do Projecto.

Na primeira atitude reconhece-se o movimento surrealista, o dadaísmo e uma arte metafísica de contestação social; na segunda, que resulta dos movimentos construtivistas e da arquitectura racionalista, há a promessa do Design como forma mais directa de transformação da sociedade.

(Parece que para Jorge Vieira não havia vanguardas estéticas. Havia simplesmente vanguardas.)

Estes momentos, não completamente racionalizados, reconhecem-se nalguns Desenhos que, por conterem uma visão prospectiva, não são no entanto projectos de esculturas (o que umas vezes acontece) mas são efectivamente "esculturas no papel" e só isto!

Não são nem desenhos dum escultor (destinado à moldura), nem desenhos preparatórios (projecções) de peças a três dimensões; são em si próprios "individuos escultóricos" que começam e acabam no papel.

Daciano da Costa

Breve Biografia de Jorge Vieira

1922 - Jorge Ricardo da Conceição Vieira nasce em 16 de Novembro em Lisboa.
1944 – Jorge Vieira frequenta a Escola de Belas-Artes até 1953. Inicialmente frequenta Arquitectura, tendo transitado, mais tarde, para Escultura.
1953 – Terminado o curso de Escultura, Jorge Vieira defende a tese com uma estátua de Raul Brandão. Neste ano casa com a pintora Maria do Céu Sousa Vieira.
1954 – Frequenta a Slade School of Fine Arts com a esposa. Neste período da sua vida, frequenta a casa de Henry Moore.
1956 – Regressou a Portugal e lecciona na Escola Industrial António Arroio em Lisboa.
1958 – Participa na Pavilhão de Portugal da Feira Internacional de Bruxelas
1964 – Trabalha no gabinete Técnico de Habitação donde é afastado por motivos políticos. Realiza provas para Professor de Escultura da Escola de Belas-Artes de Lisboa. O insucesso desta sua vontade deve-se a motivos políticos.
1966 –Trabalha no atelier de Daciano da Costa até 1969.
1970 – Grupo escultórico para o Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Osaka.
1972 – É assistente na escola de Belas-Artes de Lisboa.
1976 – Instala-se no caramulo, acompanhando a sua esposa que se encontra em situação de saúde grave.
1981 – Casa com Noémia Cruz, escultora.
1992 – Jubila como Professor de Escultura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.
1995 – É inaugurada a Casa das Artes Jorge Vieira em Beja.
1997 – Inicia a realização de uma escultura em metal para o recinto das EXPO’98.

Exposições Individuais (selecção)

1949 - Sociedade Nacional de Belas Artes
1959 – Galeria Diário de Notícias
1966 – Galeria Divulgação
1971 – Galeria S. Mamede
1981 – Galeria Ana Isabel
1985 – Museu do Convento de Jesus, Setúbal
1986 – Galeria Nasoni, Porto
1986 – Galeria Nova, Torres Vedras
1987 – Galeria Ana Isabel
1995 – Museu do Chiado, Exposição retrospectiva, Lisboa
1995 – Galeria Palmira Suso, Lisboa
1996 - Galeria Palmira Suso, Lisboa

Exposições Colectivas (selecção)

1947
2ª Exposição Geral de Artes Plásticas

1951
6ª Exposição Geral de Artes Plásticas

1953
II Bienal do Museu de Arte Moderna de S. Paulo

1954
Salão da Primavera , Sociedade Nacional de Belas Artes
I Salão de Arte Abstracta , Galeria de Março

1956
Galeria Pórtico com Carlos Calvet e António Areal
Exposição de Arte Sacra , Galeria Pórtico
Contemporary Sculpture , Hannover Galery, Londres
I Salão dos Artistas de Hoje , Sociedade Nacional de Belas Artes

1957
I Exposição Nacional de Escultura e de Desenhos de Escultores
Exposição Portuguesa de Gravura Contemporânea , Galeria Pórtico
Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian

1959
50 Artistas Independentes , na Sociedade Nacional de Belas Artes
I Exposição de Desenho Moderno , Casa da Imprensa

1992
Exposição Arte Portuguesa nos Anos 50

1994
Primeira Exposição Surrealista ou Talvez Não

1995
FAC’95, Lisboa

1996
ARCO’96, Madrid
FAC/FORUM’96, Porto

1997
Cultura Ibérica Contemporânea, Galeria Mário Sequeira, Braga

Eventos a decorrer
Eventos previstos
Eventos passados
Última actualização em 2005-11-25