Simancas localiza-se na margem direita do Pisuerga um dos afluentes mais
importantes do Rio Douro, a dez quilómetros de Valladolid, na estrada que liga esta cidade a Tordesilhas. Do seu antigo esplendor, tem hoje apenas digno de menção a igreja com a sua torre reconstruída no século XVI e o castelo, grandiosa moradia senhorial dos Henriques, almirantes de Castela. Após a compra do mesmo em 1480 pelos Reis Católicos e incorporado nos bens da coroa, o castelo passou a servir de prisão do Estado. Nas suas masmorras estiveram presos, entre outros, D. António de Acuna, Bispo de Zamora, e Floris de Montmorency, Barão de Montigny.
Em Fevereiro 1543, Carlos V ordenou que fossem transferidas para o castelo de Simancas todas as escrituras respeitantes ao património real até então guardadas em Medina del Campo, onde tinham estado sujeitos a sérios riscos de desaparecerem, em virtude de um incêndio. Na sequência desta transferência foram igualmente incorporados neste acervo inicial outros documentos que se encontravam tanto na posse dos Conselhos e Tribunais da Nação, como de particulares.
Foi, no entanto, Filipe II que conferiu ao Castelo de Simancas o seu carácter de arquivo, ordenando que fossem depositados no seu interior todos os documentos respeitantes ao Estado e que se encontravam na posse de embaixadores e ministros ou dos seus herdeiros. Para além desta medida ordenou, igualmente, aos Conselhos Reais, contadorias, tribunais, mosteiros e cabildos que entregassem todos os documentos que pertencessem à coroa.
A organização dos fundos documentais do Archivo General de Simancas está intimamente ligada ao desenrolar dos acontecimentos históricos vividos no país. Tendo sido criado no século XVI, para albergar os documentos emanados dos organismos centrais da monarquia espanhola, o Archivo General de Simancas reflecte, inevitavelmente, a estrutura administrativa seguida no país. Os historiadores dividem os documentos existentes no seu acervo em dois grandes períodos: o primeiro respeitante à dinastia dos Austríacos, abrangendo os séculos XI a XVII, e o segundo referente à dinastia dos Bourbons, reportando-se ao século XVIII.
Com a abertura ao público em 1844, o Archivo General de Simancas passou de arquivo documental a arquivo histórico, recebendo desde então a visita de centenas de investigadores de várias proveniências que procuram encontrar informações respeitantes à história dos seus países. |