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N.º 36 02/11/2006 O Leopardo, de Luchino Visconti
A obra literária Il Gattopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampadusa, ficou imortalizada com este trabalho cinematográfico de Visconti. Em O Leopardo (Palma de Ouro – Cannes 1963) o mais importante é o facto de – várias décadas depois de ter sido realizado – permanecer tão pertinente e actual como na época. Através desta obra Visconti conseguiu retratar de forma fiel os factos que precederam a decadência da aristocracia siciliana e a sua readaptação a novos tempos (ou não fosse ele também descendente de uma família aristocrática que dominou Milão durante 170 anos, nos séculos XIII e XIV). Mas isso não o impediu de ver o seu filme rotulado de «reaccionário» pelos militantes comunistas, que entendiam que através do olhar do protagonista o cineasta construía uma metáfora acerca do contexto político italiano da sua época, decepcionado que estava com a ascensão de um governo de centro-esquerda que não conseguira garantir a mudança das relações sociais. Apesar das acusações, O Leopardo resistiu aos tempos e é ainda hoje considerado um marco cinematográfico, não só pela sua abordagem mas também pela sua beleza estética, pelo rigor da realização, pelo apurado trabalho fotográfico de Giuseppe Rotunno e pela excelente banda-sonora, que inclui uma valsa inédita de Giuseppe Verdi. O Leopardo tem como pano de fundo a Sicília, em 1860, numa altura em que era dominada pelo ramo espanhol dos Bourbons. O Príncipe de Salina, Don Fabrizio (Burt Lancaster), é um aristocrata que tenta manter o anterior modo de vida, apesar dos tempos de mudança. Quando começa a perceber que o movimento de unificação de Itália, iniciado por Garibaldi, vai alterar de forma definitiva a estrutura do poder dominante na Sicília e na aristocracia local fica preocupado. A ascensão da burguesia é encarada por si como uma ameaça, mas numa manobra astuta o aristocrata combina o casamento do seu sobrinho, Tancredo (Alain Delon), com Angélica (Claudia Cardinale), filha de um rico e influente administrador de propriedades. Fiel aos seus valores, D. Fabrizio consegue assim manter acesa a chama do antigo regime... O projecto Cinema Alternativo do IAC-Instituto Açoriano de Cultura conta com o apoio da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, o financiamento do ICAM-Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia e a direcção técnica de Lázaro Silva.
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