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N.º 30 25/09/2007 Cinema Alternativo
Sobre este filme, explica Manoel de Oliveira: Ocorreu-me à ideia inesperadamente, e como tinha gosto de prestar a minha homenagem a Luís Buñuel e a Jean Claude Carrière fiquei feliz por ter encontrado o modo de o fazer, talvez o melhor, e meti mãos à obra. De que se trata? De retomar duas das estranhas personagens do filme Belle de Jour, e fazê-las reviver, trinta e oito anos depois, na estranheza de um segredo que só ficara na posse da personagem masculina e cujo conhecimento se tornara crucial para a personagem feminina. Assim, passado esse tempo, voltam a encontrar-se. Mas ela tenta por todos os meios evitá-lo. Ele, porém, persegue-a e, ainda que contrariada, consegue detê-la face à intenção de lhe revelar o segredo que só ele lhe pode desvendar. Marcam um encontro, um jantar, onde ela espera que tudo lhe seja revelado. Dá-se o jantar onde ela, viúva, aguarda a esperada revelação: o que ele dela dissera ao marido quando este estava mudo e paralítico por causa de um tiro que um amante dela lhe dera. A situação é tensa e ela acaba desesperada sem poder afinal saber o que em verdade se passou. Ele fica satisfeito no seu sadismo e no seu particular modo de se vingar da altivez dessa mulher que no fundo o desejou, mas que o seu feitio altivo impediu que ele a possuísse.
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