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N.º 44 15/11/2007 Cinema Alternativo
Rosetta, uma rapariga no final da adolescência, vive com a sua alcoólica e deplorável mãe numa roulotte decrépita no fundo de um parque miserável. Depois de agredir o patrão, que a despediu injustamente, Rosetta, desesperadamente, tenta encontrar trabalho. Rosetta está disposta a mentir, a enganar, a trair, a assediar e a implorar para arranjar emprego. Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1999, “Rosetta” é uma realização dos irmãos Dardenne, que voltam no seu cinema a criar um retrato deprimente e sombrio da Bélgica. Desta vez, acompanham a trágica e desesperada obsessão de uma rapariga pobre na sua cruzada em busca de trabalho. Uma trajectória tão tensa e determinada que só não é totalmente patética porque ela se comporta como uma autêntica guerreira no meio de um combate desigual e selvagem: conseguir emprego numa Bélgica deplorável. Jean-Pierre e Luc Dardenne assinam um drama de um realismo incómodo sobre uma demência quotidiana na Europa moderna, desenvolvida e rica do limiar do século XXI. Quase sempre filmado com a câmara à mão e quase sempre excessivamente próxima das personagens, Rosetta é um filme de uma crueza e de uma verdade radicais, que assenta no espantoso trabalho de uma jovem actriz, Émilie Dequenne, justamente premiada em Cannes com o Prémio da Melhor Interprete Feminina.
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