52.79.54 Casa Gaspar Silva
RIBEIRA SECA • Largo da Igreja
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA DOMÉSTICA
VALOR CONCELHIO (resolução nº 191/98, de 6 de agosto)
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XIX/SÉC.XX
DESCRIÇÃO: Casa de habitação de grandes dimensões que, apesar de se encontrar muito degradada, assim como a sua envolvente, corresponde a uma arquitetura de exceção em que às características vernáculas se veio juntar uma varanda do tipo colonial e, nas coberturas, acabamentos próprios dos chalés.
Está inserida no limite sudeste de uma grande propriedade que inclui: o corpo do antigo estábulo a nordeste; o corpo da garagem a sudoeste; o corpo da antiga atafona e casa do caseiro mais a norte; os currais na parte posterior da casa; o jardim formal e a antiga “casa do bode” num patamar mais elevado, a noroeste do núcleo edificado, separado deste por uma parcela do extenso milheiral; três cisternas de dimensões diferentes, tendo a maior uma eira na plataforma superior, e outras estruturas de apoio à habitação e à atividade rural.
A casa principal tem dois pisos mais sótão e planta em “T”. O corpo principal, alinhado com a rua, tem a adega e a “loja” no piso térreo e a habitação no piso superior. A perna do “T” corresponde, no piso térreo, às cavalariças e às pias de lavar a roupa e, no segundo piso, à cozinha e ao celeiro. As fachadas nascente, sul e poente do corpo principal estão envolvidas por uma varanda larga, de madeira, apoiada em pilares também de madeira e protegida por uma guarda de ferro e um alpendrado apoiado em pilaretes de ferro. A fachada principal, organizada segundo um eixo de simetria, abre para a rua cinco portas, no piso térreo, e cinco janelas rasgadas até ao pavimento no piso superior. Em cada empena há, neste piso, uma janela rasgada até ao pavimento ladeada por duas janelas de peito e, ao nível do sótão, uma janela de sacada axial. As molduras são simples e genericamente de verga reta. Os vãos axiais da fachada principal têm verga curva e as janelas do sótão são rematadas por um arco abatido.
No braço do “T” destaca-se, no piso térreo, a manjedoura em pedra, da antiga cavalariça, e as pias de lavar a roupa. Da antiga cozinha (situada no segundo piso) apenas resta o enorme corpo da “caixa do lar”, hoje sem comunicação com aquela, encostado à fachada poente. Tem planta quadrangular, dois fornos acoplados na face poente e, como cobertura, a altíssima chaminé cónica com o interior em alvenaria de pedra à vista. A cozinha e o “lar” abrem-se para um pátio de serviço (a poente da primeira e a sul da segunda) que estabelece a ligação com uma cisterna retangular implantada a poente dos fornos.
Dos restantes edifícios destaca-se a grande cisterna, situada na zona mais alta do terreno, no meio de um extenso milheiral. É constituída por um maciço de planta retangular, atravessado por um estreito depósito, também retangular, com uma cobertura abobadada que forma um dorso saliente na plataforma superior, utilizada como eira.
O corpo da habitação é construído em alvenaria de pedra parcialmente rebocada e pintada de branco. A fachada sul do corpo principal e as partes superiores das empenas são revestidas a azulejo de padrão azul e branco. O soco, os cunhais e as molduras dos vãos destas faces teriam sido revestidos a argamassa pintada, estando hoje, quase todos, com a pedra à vista. A cobertura do alpendrado é construída em madeira e rematada por rendilhados de madeira que se repetem no limite superior das empenas. As portas, as caixilharias das janelas e a guarda da varanda de uma das janelas do sótão são em madeira pintada de branco. As janelas de sacada e rasgadas até ao pavimento têm bandeiras decoradas com vidro de cor. As coberturas são de duas águas revestidas com telha “marselha” e possuem, na cumeeira, rendilhados cerâmicos e pináculos nos extremos.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Mau
FUNÇÃO INICIAL: Habitação e apoio à atividade rural
FUNÇÃO ATUAL: Habitação e apoio à atividade comercial
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: SILVA, Fernando Gaspar da, Os Gaspar Silva, memórias de raízes e percursos familiares, Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura, 2001.
OBSERVAÇÕES: A eira, as pias de lavar a roupa, os fornos e a cisterna eram, no passado, usados pelos habitantes da freguesia.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-23
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mapa: 79
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