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| 52.95.77 IGREJA DE SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA |
| CALHETA • Rua Dr. António Martins Ferreira (antiga Rua da Igreja) |
| EDIFÍCIO ISOLADO |
| ARQUITETURA RELIGIOSA |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XVIII |
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DESCRIÇÃO: Igreja implantada num adro ajardinado, murado, de planta irregular e elevado em relação à Rua José Azevedo da Cunha. O adro é acessível, a sul, por meio de uma escada com um lanço inicial alinhado pelo portal sul da igreja, seguido por dois lanços simétricos, mais estreitos, perpendiculares ao primeiro. A poente é acessível pelo escadório que conduz ao portal principal. Existem ainda outros acessos secundários, nomeadamente o que envolve o Império do Espírito Santo situado no canto sudeste do recinto.
A igreja é constituída por um corpo principal de planta em cruz latina, pelo corpo da torre, encostado à fachada lateral esquerda da igreja e alinhado pela sua fachada principal, e pelo corpo da sacristia que ocupa o ângulo posterior sul do transepto com a capela-mor. Ao braço norte do transepto foram acrescentadas algumas ampliações.
As partes primitivas do corpo principal são delimitadas por um soco alto (assente sobre embasamento), por expressivos cunhais apilastrados e por um entablamento com cornija muito pronunciada. A fachada principal prolonga-se acima da cornija formando um pseudofrontão em cujo vértice, cortado, assenta uma cruz sobre um pedestal enquadrado por volutas.
O portal principal, emoldurado, está enquadrado por dois pares de pilastras semissobrepostas, com altos pedestais e capitéis coríntios, que se prolongam em ressalto sobre o entablamento da fachada. As pilastras são encimadas por enormes e complexos pináculos semiembutidos. O portal possui um lintel almofadado com uma cartela a eixo com a data “1736” gravada. Este lintel está unido por um pseudoentablamento aos capitéis das pilastras e ao entablamento da fachada, cujo friso liso serve de parapeito à janela axial que ilumina o coro alto (interrompendo a cornija). A janela está enquadrada pelos pináculos das pilastras, possui um duplo lintel almofadado, está envolvida por toros que formam uma moldura exterior e é rematada por cornija. Sobre esta assenta um nicho rematado em arco de volta inteira sobre impostas, com moldura nervurada. Está enquadrado por um par de pequenas pilastras também nervuradas, assentes em mísulas decoradas, e por uma cornija que une os respetivos capitéis. De cada lado do portal há uma janela cuja moldura tem um ligeiro esbarro e arestas boleadas. É rematada por um establamento simplificado que encosta ao entablamento da fachada.
A fachada lateral sul possui um portal, mais próximo do braço do transepto, ladeado por duas janelas elevadas cujos lintéis se inserem no entablamento da fachada. O portal, rematado por um entablamento complexo, está também enquadrado por dois pares de pilastras sobrepostas, com altos pedestais e capitéis pseudocompósitos, que se prolongam em ressalto sobre o entablamento do portal. São encimadas por pináculos semiembutidos cujas pontas tocam o entablamento do corpo principal da igreja. A eixo da cornija superior assenta um pedestal de expressão semelhante à dos pedestais dos pináculos (com uma cara em relevo na parte superior), que está enquadrado por duas volutas e suporta uma cruz encastrada no entablamento da fachada interrompendo o toro que separa a arquitrave do friso.
O braço sul do transepto, de construção mais recente, é delimitado por soco baixo, por cunhais e por cornija nas faces nascente e poente. A face sul possui duas janelas de molduras simples e é rematada por um frontão contracurvado, delimitado por volutas e rematado por uma cruz de pedra. A face poente tem uma janela axial. À fachada lateral norte, de composição semelhante à fachada oposta, encosta a escada de acesso à torre sineira, de construção mais recente. A restante fachada é ocupada pelo portal lateral e pela janela à sua esquerda. O braço norte do transepto, certamente resultante de uma remodelação, é muito mais largo que o braço sul e possui as fachadas pontuadas por janelas de peito. A eixo do topo norte deste braço há um óculo circular elevado e, no respetivo vértice, uma cruz com base quadrangular. A face nascente tem uma porta encostada à esquerda. |
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O corpo da capela-mor possui as fachadas nascente e sul alinhadas pelos limites da plataforma correspondente ao adro, que aqui sofre um ligeiro esbarro. A face sul tem uma janela encostada ao braço do transepto, a face norte possui uma janela, em posição simétrica, e uma porta mais próxima do tardoz. A face nascente tem uma janela axial, próxima do soco, com a inscrição “1763” na padieira, e é encimada por um frontão. No tímpano abre-se um óculo circular cuja moldura tem um ligeiro esbarro. No vértice cortado assenta uma cruz.
O corpo da enorme torre tem planta quadrangular e é delimitado pelo prolongamento do soco do corpo da igreja, por cunhais apilastrados, encimados por pináculos, e por cornija. Está dividido em dois níveis pelo prolongamento do entablamento do corpo principal. O nível inferior possui, nas faces nascente e norte, uma janelinha vertical cuja moldura tem um ligeiro esbarro e arestas boleadas. O nível superior, correspondente ao alto campanário, possui um soco próprio e um vão de sino em cada face, sendo o da face sul mais pequeno. Estes vãos são rematados em arco de volta inteira peraltado, assente sobre impostas salientes, e têm aventais aparentes ligados ao soco. As quatro faces da torre estão encimadas por frontões triangulares, de construção mais recente, com um relógio circular em cada tímpano. A torre é ainda rematada por um coruchéu octogonal com pináculo no vértice.
O corpo da sacristia está apenas delimitado por um cunhal. Abre para sul uma porta descentrada, elevada em relação ao adro, cuja moldura tem as arestas boleadas. A face nascente tem uma janela à esquerda e, à direita, um corpo prismático saliente, correspondente ao nicho do lavabo existente no interior. O interior do corpo principal tem três naves separadas por arcadas de cinco arcos: os do primeiro tramo são mais baixos e abatidos, devido à existência de um coro alto, e os restantes são de volta inteira. Todos estão assentes em pilares com pedestais, bases e capitéis salientes e têm grandes chanfros nas arestas. Na face anterior das primeiras colunas há nichos destinados a pequenas pias de água benta. O quarto arco do lado da epístola é mais alto que os restantes.
Sob o coro alto, na parede do lado do evangelho, abre-se o arco de acesso ao batistério que ocupa o piso térreo da torre. É de volta inteira assente em pés-direitos com pedestais, bases e impostas salientes. O batistério está coberto por uma abóbada de barrete de clérigo, delimitada no arranque por uma cornija. Sobre a cornija há uma faixa em cantaria, havendo outras duas que acompanham a curvatura da abóbada, a eixo de cada lado, cruzando-se no fecho.
No terceiro tramo das naves abrem-se os portais laterais acompanhados, à esquerda de cada um, por uma pia de água benta, concheada, em cantaria à vista. Na coluna que divide o terceiro do quarto arco encontra-se o púlpito, com balaustrada de madeira, assente numa consola moldurada rematada num “pé” em forma de mísula. É acessível por meio de uma escada de pedra que envolve dois dos lados do pilar. O quinto tramo corresponde ao transepto, que comunica com o corpo das naves através de arcos de volta inteira semelhantes e paralelos aos que dividem as três naves. Na parede nascente do braço norte do transepto abre-se o arco de comunicação com a capela do Santíssimo, preenchido por um portão gradeado, em madeira escaiolada e dourada. |
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Junto ao arco triunfal há dois altares laterais (o do lado da epístola encontra-se retirado para restauro). O arco triunfal é de volta inteira e mais alto que a restante arcaria. Cada uma das paredes laterais da capela-mor possui uma porta com entablamento simplificado e as arestas boleadas, de acesso a arrumos (no lado do evangelho) e à sacristia (no lado da epístola). Têm ainda uma janela elevada, junto ao altar-mor.
A nave central, os braços do transepto, a capela-mor e a capela do Santíssimo são cobertos por abóbadas (ou falsas abóbadas) de berço. Todas as abóbadas assentam sobre cornijas contínuas. As cornijas da capela-mor são escaioladas. Os retábulos em madeira dourada e pintada (ou escaiolada) existentes na capela-mor, nos topos das naves laterais, nos braços do transepto e na capela do Santíssimo, são de épocas, tipos e qualidade muito diversos.
No interior da sacristia destaca-se o lavabo em cantaria e o espaço em que este se encontra, acessível por um vão de arco abatido assente em impostas salientes. O lavabo é composto por uma bacia retangular destacada da parede e apoiada num pé bojudo. O alçado é retangular com remate semicircular, mais estreito que a bacia e trabalhado em relevo: junto à bacia existem duas caras que contêm as duas bicas; mais acima abre-se um pequeno nicho concheado correspondente à “caixa-de-água”; na parte superior desenha-se uma cruz ladeada por dois botões e duas volutas.
As partes primitivas do imóvel são construídas em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco exceto os socos, os cunhais, os entablamentos, as pilastras, os pináculos, os elementos decorativos, as molduras dos vãos e a arcaria interior que são em cantaria à vista. As coberturas são genericamente de duas águas com telha de canudo industrial, telhão nas cumeeiras e beirais duplos. |
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| ELEMENTOS DATADOS: Cartela no lintel do portal principal com a inscrição “1736”; verga de janela na capela-mor com a inscrição “1763”. |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom |
| FUNÇÃO INICIAL: Igreja |
| FUNÇÃO ATUAL: Igreja matriz |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: Reabertura da Igreja Matriz da Calheta de São Jorge: breves notas históricas (colab. de José Rodrigues Ribeiro), [Angra do Heroísmo], s/n, [1992]. |
| DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-12 |
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