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| 22.180.9 SOLAR DA BOA VIAGEM OU SOLAR DAS CALHETAS |
| CALHETAS • TRAVESSA DO MORGADO E RUA DA BOA VIAGEM |
| UNIDADE PAISAGÍSTICA CONSTRUÍDA |
| VALOR CONCELHIO |
| (Resolução nº18/93, de 11 de Fevereiro) |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XVIII/SÉC.XIX |
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DESCRIÇÃO: Unidade paisagística constituída por um edifício de habitação (o solar propriamente dito), construções anexas e jardins envolventes. O edifício de habitação é composto por um corpo mais antigo, rectangular, situado na esquina da Travessa do Morgado com a
Rua da Boa Viagem, e por outro em forma de "U", cujo braço norte encosta ao tardoz do corpo rectangular e que se articula
em torno de um pátio encerrado por um muro, na Travessa do Morgado, onde se situa o pórtico principal de entrada. No corpo rectangular, que pode ter resultado de reconstruções sucessivas, predomina uma expressão construtiva oitocentista.
A eixo da fachada virada para a Rua da Boa Viagem evidencia-se uma varanda em forma de trapézio isósceles que assenta num
corpo saliente com a mesma configuração, onde se abre uma porta. Adossado à empena direita encontra-se um largo balcão rasgado
por uma escada que permite o acesso ao piso superior directamente da rua. Ao mesmo balcão acedem mais duas escadas a partir
do jardim. O corpo em "U" é de construção mais recente e, embora utilize elementos formais existentes no corpo mais antigo (como as consolas
das varandas e as molduras dos vãos), tem características da arquitectura nacionalista desenvolvida durante o Estado Novo,
particularmente visíveis no portal neobarroco, em cujo tímpano existe uma pedra de armas (Rego e Botelho). A parte mais recuada
do pátio é rodeada por um alpendre, também em "U", acessível por duas escadas laterais simétricas. Ambos os corpos são rebocados e caiados à excepção dos cunhais, da pilastra, das cornijas, dos aventais, das molduras dos
vãos, das consolas das varandas, das volutas e restantes elementos decorativos que são em cantaria à vista. As janelas de
peito têm caixilharia de madeira pintada de branco e são de guilhotina. As coberturas são de duas águas, em telha de meia-cana
tradicional, com beiral duplo e telhão na cumeeira. Entre as construções anexas encontram-se as adegas, situadas junto ao portão de entrada da Travessa do Morgado. Têm plantas
rectangulares e são construídas em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco nas fachadas viradas ao interior da quinta
e à vista na fachada integrada no muro exterior. As molduras dos vãos são em pedra aparelhada à vista, assim como os cunhais
e a cornija. O telhado varia entre uma configuração de quatro águas e uma composição que combina um telhado de duas águas
com outro de uma água, resultando num conjunto peculiar.
O celeiro, implantado no seguimento das adegas, é de planta rectangular, é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada
de branco, apresentando um conjunto de vãos de pequenas dimensões, em forma de fresta. O telhado é de duas águas, em telha
de meia-cana tradicional, com beiral simples e telhão na cumeeira. Há um acesso ao celeiro através das antigas hortas, por
um pórtico em arco inserido num muro de pedra.
A pocilga, as estrumeiras e a eira situam-se em frente ao celeiro. Apesar das alterações sofridas ainda se mantém a sua disposição
original. Nas pocilgas são visíveis duas pequenas construções cobertas onde se abrigavam os animais. A garagem é um pequeno edifício isolado, com entrada por um portão na Rua da Boa Viagem, cuja fachada se insere no muro da
propriedade. É uma construção da mesma época do corpo em "U" da habitação e tem o mesmo tipo de acabamentos. A cobertura é
de quatro águas, em telha de meia-cana tradicional, com telhão na cumeeira e beiral duplo. A casa da lenha, encostada ao muro da propriedade do lado oposto ao portal, é uma pequena estrutura em forma de alpendre,
em pedra e com cobertura de telha. O sistema de distribuição de água é composto por um tanque, duas fontes, um aqueduto (apenas subsiste a marcação do seu percurso
no terreno) e um chafariz. O tanque situa-se nas antigas hortas e foi criado para armazenar a água para uso doméstico, razão
pela qual se encontra coberto. Tem configuração rectangular e é construído em pedra rebocada. Uma das fontes está adossada
ao tanque e fazia a ligação ao antigo aqueduto. A outra fonte, situada no jardim, junto aos edifícios de habitação, é constituída
por três partes: a base, em forma de coluna torcida, a bacia de forma circular, e um elemento vertical rematado em arco de
volta perfeita onde se encontra a bica. Todas as partes são em cantaria à vista. O chafariz é do século XIX e está integrado
no lado exterior do muro da propriedade. Apesar do seu uso público é propriedade da quinta. Este chafariz parietal, definido
por uma elevação do muro, é enquadrado por um par de pilastras, rematado por uma cornija com duas secções em arco e encimado
por três pináculos. A bacia é rectangular e está encostada a um soco de pedra, onde parecem faltar alguns elementos compositivos.
Por cima da bacia há uma placa rectangular com três bicas, sendo as duas laterais inseridas em florões. A eixo do pano de
fundo há uma cartela com a inscrição: "MANOEL / DE MIDros BITT / CÂMARA E MELLO / 27/5 1846", ligada a uma decoração com motivos
florais. O pano de fundo do chafariz é rebocado e pintado de branco. O soco, a bacia, a placa das bicas, as pilastras, a cornija,
os pináculos, a cartela com a inscrição e os elementos florais são em cantaria à vista. No muro exterior, entre a garagem
e o chafariz, existe um portão de acesso ao jardim ladeado por dois pilares em cantaria encimados por pináculos. Os espaços verdes envolventes podem dividir-se em dois jardins com características diferentes. O primeiro é a antiga horta,
de carácter mais utilitário, hoje transformada num jardim com pequenas sebes aparadas, de formas simples, que alberga uma
estufa e um recinto vedado para criação de aves. Neste recinto murado destacam-se duas anoneiras de grandes dimensões. O segundo
é o jardim que rodeia a casa, com características lúdicas, apresentando uma série de árvores de grande porte que marcam fortemente
a paisagem, entre elas uma araucária e um conjunto de meterosíderos alinhados paralelamente ao muro da Rua da Boa Viagem.
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| ELEMENTOS DATADOS: Inscrição numa cartela no chafariz: "27.05.1846". |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Razoável |
| FUNÇÃO INICIAL: Habitação, recreio e apoio à actividade agro-pecuária |
| FUNÇÃO ACTUAL: Turismo de habitação |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: "Solar da Boa Viagem / Calheta / Ribeira Grande. Memória Histórica", Secretaria Regional da Educação e Cultura, Direcção
Regional dos Assuntos Culturais, s./l., s./d.; Ficha 146/São Miguel do "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores". |
| OBSERVAÇÕES: À data do levantamento, o corpo principal da casa encontrava-se em obras devido a um incêndio. |
| DATA DE LEVANTAMENTO: 2002-11-30 |
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