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| 51.129.23 Igreja de Santa Bárbara |
| MANADAS • Largo da Igreja |
| EDIFÍCIO ISOLADO |
| ARQUITETURA RELIGIOSA |
| IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO (Decreto nº 37728, De 5 De Janeiro De 1950) |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc.XVIII |
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DESCRIÇÃO: Igreja implantada junto ao mar num adro elevado e murado, de forma irregular, acessível por uma escadaria alinhada pelo portal da igreja e composta por conjuntos de três e dois degraus em pedra, intercalados por patamares em calhau rolado. No ângulo das guardas da escada com os muretes do adro há pináculos assentes em altos pedestais com losangos nas faces. No alinhamento da escada há uma faixa do adro pavimentada com pedra regular que conduz à entrada da igreja. Do lado norte existem dois acessos ao adro mais informais. No murete desse lado há pequenas estelas encastradas com cruzes em relevo.
A igreja é constituída pelo corpo da nave, pelo corpo mais estreito da capela-mor, pela torre sineira, pela sacristia e por outra dependência. A fachada está delimitada pelo soco alto (que se prolonga para as faces laterais), por cunhais apilastrados sobre pedestais e por uma cornija que acompanha a inclinação das águas do telhado. No vértice cortado há uma cruz em pedra. Os capitéis dos cunhais prolongam-se numa cornija horizontal que forma a base de um frontão interrompido pela janela que encima o portal. O cunhal direito está encimado por um pináculo sobre um pedestal com as faces decoradas com losangos. O portal é rematado por um entablamento simplificado com o friso liso, muito alto, e está enquadrado por duas pilastras jónicas que se prolongam acima da cornija do entablamento, onde capitéis toscanos recebem pináculos semiembebidos. No lintel do portal está inscrita a data “1770”. Sobre o portal e ligada a este pela moldura, está a janela do coro cujo enquadramento constitui uma miniatura toscana do portal. Está encimada por um nicho rematado em arco de volta perfeita e ligado à janela pelo avental. O nicho, fechado por uma portinhola envidraçada, tem no interior a imagem de Santa Bárbara, orago da igreja. Acima do nicho há um elemento decorativo enquadrado por duas volutas em relevo. |
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A torre sineira encosta à fachada lateral esquerda prolongando o plano da fachada principal. Está delimitada pelo prolongamento do soco da fachada, por cunhais e por uma cornija encimada por uma platibanda com pináculos sobre pedestais nos ângulos. A platibanda tem as faces decoradas com quadrados dispostos a 45 graus que, nos pedestais, se transformam em losangos. Na platibanda do lado norte há a inscrição “1736”. A torre é rematada por uma cúpula facetada, de secção octogonal, encimada por um pináculo. A cornija da base do frontão envolve a torre e sobre ela assenta um soco alto, mais saliente junto aos cunhais onde simula pedestais. O campanário tem quatro vãos de sino rematados em arco de volta perfeita, peraltado, sobre impostas. O vão virado a sul é mais estreito. A torre é envolvida ao nível da base por uma espécie de banqueta/contraforte com o “assento” em tufo. Tem ainda na face norte uma pequena janela.
A fachada lateral direita da igreja tem um portal lateral com moldura rematada por cornija onde assenta a moldura da janela que o encima. A sacristia encosta a esta fachada e à fachada lateral direita da capela-mor, sendo acessível por uma porta na sua face poente. Na face sul tem três janelas diferentes e desalinhadas, sendo uma delas de abertura mais recente. Na face nascente há ainda uma porta e uma janela a encimá-la.
Na fachada lateral esquerda abre-se outro portal ao qual se tem acesso por uma passagem coberta por uma abóbada de berço sob a galeria que conduz à torre sineira e ao coro alto. Na galeria abrem-se três janelas rematadas em arco de volta perfeita que, na axial, assenta sobre impostas. A esta face, em simetria com a sacristia, encosta o corpo da segunda dependência que é acessível por uma porta a nascente, encimada por uma janela. No topo da cabeceira há também uma pequena porta com postigo. Todas as janelas e portas exteriores têm as arestas das molduras chanfradas. Nos cunhais existem baixos-relevos com cruzes sobre esferas, inseridas em rebaixos rematados em arcos com impostas muito exageradas, que fazem parte de uma via-sacra. |
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No interior, de uma só nave e com o piso assoalhado, há, sobre a entrada, um coro alto protegido por uma balaustrada em madeira, parcialmente suportado por um pórtico transversal. Na face interna da fachada há, de ambos os lados do guarda-vento, uma pia de água benta em consola, em cantaria concheada, sendo a do lado da epístola de maior dimensão. Sob a torre sineira, do lado do evangelho, fica o batistério coberto por uma abóbada de berço. Tem o piso lajeado e uma pia batismal de grande dimensão, toda em cantaria. A seguir a cada uma das portas laterais existe uma pia de água benta, sendo a do lado da epístola encastrada na parede, maior e concheada. A porta do lado do evangelho é seguida pelo púlpito, assente sobre uma consola em cantaria, em forma de grande mísula, pintado com imitações de mármore e elementos vegetalistas. A guarda é em talha escaiolada com enrolamentos. Está encimado por um guarda-voz do qual pendem panejamentos intercalados por borlas. Em cada canto existia um pináculo, restando apenas o do lado direito. A parede que enquadra a porta do púlpito tem um cortinado pintado a envolver pintura escaiolada. Em simetria, do lado da epístola, há outro guarda-voz que encima uma pintura sobre tábua. Seguem-se dois altares laterais em nichos profundos, e as portas de acesso à dependência, do lado do evangelho, e à sacristia, do lado da epístola. Nos ângulos cortados junto à cabeceira há, de cada lado, um altar em nicho da mesma dimensão dos anteriores. Os quatro nichos são rematados em arco de volta perfeita sobre impostas e totalmente revestidos a talha dourada sobre fundo verde. Os respetivos altares têm, na face anterior curva, relevos dourados tendencialmente neoclássicos sobre fundo escaiolado. O altar do canto do lado do evangelho tem a inscrição “1793”. Os quatro nichos são revestidos a talha dourada sobre fundo verde e três têm retábulos com as mesmas características. No primeiro altar do lado do evangelho tem uma tela com uma representação de São Miguel Arcanjo. Os sobrearcos são em madeira pintada com enrolamentos fitomórficos. As portas
laterais da assembleia têm as molduras revestidas de madeira escaiolada e as do presbitério têm as molduras em talha escaiolada encimada por uma cornija rendilhada. Os espaços livres das paredes da nave, acima das portas e até ao coro, são preenchidos por pinturas sobre tábuas. Sobre as portas de acesso à sacristia e aos arrumos, e, acima da cornija, sobre os nichos dos altares e sobre algumas pinturas, há frontões dourados e policurvados de sabor rococó. A assembleia está separada do presbitério por uma “teia” de “torcidos e tremidos” em madeira, que se prolonga junto às paredes até envolver os altares laterais, rematando com um confessionário desdobrável de cada lado. O arco triunfal, de volta perfeita sobre pés-direitos com bases e impostas salientes, é revestido em talha dourada e policromada, tendo sobre o fecho o escudo com a coroa portuguesa amparado por dois anjos. Sob o arco há uma segunda “teia” de separação da capela-mor.
A capela-mor tem as paredes laterais revestidas até quase meia altura por azulejos rococó pintados a azul e branco, com representações da vida de Santa Bárbara, enquadrados por concheados e motivos vegetalistas a amarelo, manganês e verde. Entre o arco triunfal e o pódio do altar assentam sobre um rodapé decorativo do mesmo material, da mesma época e colorido semelhante. Acima do lambrim há telas com pinturas enquadradas por molduras em talha dourada. O frontal do altar-mor é em madeira com pintura escaiolada ingénua, encerrando no interior um “Senhor Morto” envolto em pinturas figurativas igualmente ingénuas. Sobre o altar fica um sacrário em talha dourada. O retábulo é em talha dourada sobre fundo verde e, tal como os retábulos dos altares laterais da nave, é num barroco do tipo “estilo nacional” tardio. Inclui camarim com trono do mesmo tipo de talha e teto em falsa abóbada de madeira com uma representação celeste. Na parede do lado da epístola fica uma segunda porta de acesso à sacristia e, em ambos os lados, há uma janela envolta numa moldura em talha dourada sobre fundo verde. |
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O teto da nave é de “alfarge” simplificado, com três esteiras, enquadrando, na esteira central, três painéis de talha policromada com representações de São Jorge, do Espírito Santo e de Santa Bárbara respetivamente. O teto da capela-mor, de três esteiras em madeira, está dividido por frisos e rosetas em talha dourada que enquadram 12 painéis em madeira pintada com representações dos Mistérios.
A sacristia está coberta por um teto de “alfarge” simplificado, em forma de masseira, com o escudo e a coroa portugueses ao centro. Na parede nascente há um arcaz em madeira e à sua direita um lavabo inserido num nicho rematado em arco de volta perfeita sobre impostas com a moldura escaiolada. O lavabo é constituído por uma bacia em consola, apoiada num elemento tripartido com função de mísula e encimada por um painel rematado pelo nicho da “caixa de água” (que se encontra já selada). A bica insere-se numa cara em relevo envolvida por ramagens. Ainda na sacristia existem dois armários embutidos, um deles com a moldura e as portas escaioladas. Junto à porta que acede à nave há uma pequena pia de água benta embutida na espessura da parede. A porta da capela-mor do lado do evangelho dá acesso a uma zona de arrumos de onde sai a escada de acesso ao púlpito e à galeria para o coro alto e para a torre sineira. Junto à entrada para os dois últimos espaços há uma pia de água benta embutida na espessura da parede.
A igreja é construída em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco (com reforços em betão armado). O soco, os cunhais, as cornijas, os pináculos, as molduras dos vãos, as pias e os elementos decorativos, são em cantaria à vista. As portas são em madeira pintada de “sangue de boi”, e têm um ou dois batentes. As caixilharias das janelas são também em madeira pintada de branco. A cobertura é de duas águas em telha de meia-cana industrial rematada em beiral simples. |
| ELEMENTOS DATADOS: Secção norte da platibanda da torre com a inscrição “1736”; lintel do portal com a inscrição “1770”; altar do lado do evangelho, junto ao arco triunfal, com a inscrição “1793”. |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom |
| FUNÇÃO INICIAL: Igreja |
| FUNÇÃO ATUAL: Igreja paroquial |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AAVV, Igreja de Santa Bárbara – Manadas, Manadas, s/n, 1986; AVELLAR, José Cândido da Silveira, Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História, Horta, Typ. Minerva Insulana, 1902; MONTEREY, Guido de, Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago, Porto, edição do autor, 1981. |
| DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-16 |
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