 |
| 51.137.28 Solar da Viscondessa |
| MANADAS • ESTRADA REGIONAL 1-2, Nº 61, SANTA RITA |
| EDIFÍCIO ISOLADO |
| ARQUITETURA DOMÉSTICA |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc.XVIII/Séc.XIX |
 |
DESCRIÇÃO: Grande casa rural implantada junto à estrada, numa propriedade que se desenvolve de ambos os lados da via. Inclui, além da habitação principal com um terreiro fronteiro, casa de caseiro, adega, cavalariças e outras dependências, e terrenos de cultivo.
A frente nordeste, virada para a estrada, é composta pelo muro do terreiro onde se inscreve o portão de entrada e pela fachada lateral direita da habitação principal. Da habitação e do muro partem, para ambos os lados, os restantes muretes de delimitação da propriedade. A habitação principal e o terreiro fronteiro estão implantados numa plataforma nivelada aproximadamente retangular.
A habitação, com dois pisos, tem planta base retangular e o corpo da cozinha perpendicular a meio do tardoz, formando um “T”. Implanta-se perpendicularmente à estrada para onde se abrem, na fachada nordeste, duas janelas de sacada ao nível do segundo piso. Esta frente é delimitada por uma faixa pintada em vez do soco, por cunhais e por cornija. A fachada principal, virada a sudeste e ao terreiro, é a mais expressiva e está igualmente delimitada pelo soco pintado, por cunhais e por cornija. No piso térreo abrem-se seis vãos agrupados três a três: uma porta entre duas janelas à esquerda, e uma janela entre duas portas à direita. No segundo piso há uma janela de peito axial que corresponde ao espaço entre os dois grupos de vãos do piso térreo, com três janelas de sacada de cada lado alinhadas por aqueles. A fachada sudoeste tem, como a nordeste, somente duas janelas de sacada no piso superior. A cozinha localiza-se ao nível do segundo piso e é acessível exteriormente por uma escada e balcão virados a sudoeste. Sob a cozinha há uma cisterna. No tardoz da habitação abrem-se, à esquerda da cozinha, uma porta no piso térreo e uma janela de peito no piso superior, e, à direita, duas portas no piso térreo e uma porta (que abre para o balcão da cozinha) e uma janela de peito no piso superior. A cozinha abre para o balcão uma porta ladeada por duas janelas de peito. A face noroeste da cozinha tem, no piso térreo, um vão para o compartimento de acesso à cisterna e uma pia de lavar roupa. No piso superior há uma janela de peito. Na face oposta ao balcão destaca-se o corpo saliente do forno, de planta retangular, com a grande chaminé de “mãos postas” acoplada. Na face nordeste da chaminé há uma placa com a inscrição “1810”.
O portal de entrada insere-se num recesso semicircular do muro exterior e está delimitado por dois pilares rematados por pináculos. Dá acesso ao terreiro, delimitado nos lados opostos ao muro exterior e à fachada da habitação, pelos muretes que fazem a guarda da plataforma elevada. Está pontuado por duas magnólias de grande porte. No murete sudeste insere-se um chafariz de um tipo bastante frequente no concelho, constituído por um tanque retangular e por um alçado paralelepipédico sobre um plinto que assenta na parede posterior do tanque, com base, cunhais e uma cornija com faixa inferior. No pano de fundo há uma cartela com os ângulos cortados com a inscrição “1893”. Abaixo da cartela fica a bica ao centro de um rosetão em relevo. À direita do chafariz há uma excrescência retangular da plataforma, com duas banquetas, que servia de mirante.
A sudoeste da plataforma, aproveitando o desnível do terreno e o muro de sustentação, encostam a casa do caseiro (com dois pisos) e as outras dependências, com um piso, entre as quais uma “atafona” e as cavalariças. Em torno do núcleo edificado organizavam-se os terrenos de cultivo onde ainda são percetíveis os muros que os dividem em “quartéis”.
Do lado norte da estrada, em frente à habitação principal, fica o corpo da adega, com um só piso e uma fachada onde se abrem três portas enquadradas por faixas pintadas. À direita da fachada segue um muro de vedação onde se abre um recesso com um portão, em simetria com o acesso ao terreiro ajardinado.
|
 |
 |
O imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, exceto o soco que é pintado de cinzento-escuro. Os cunhais, as cornijas e as molduras dos vãos, são em cantaria à vista. As portas, as caixilharias e as portadas das janelas, e as guardas das varandas, são em madeira (no tardoz já há alguns caixilhos de alumínio). As portas, as guardas das varandas e os aros fixos das janelas, são pintados de “sangue de boi”. As caixilharias móveis das janelas do piso superior são pintadas de creme e as portadas são pintadas de amarelo. Todos os vãos do piso inferior são pintados de “sangue de boi” com os tafifes (pinázios) pintados de creme. As janelas de peito do piso inferior estão protegidas por barras de ferro dispostas na vertical. Os telhados da habitação e da casa do caseiro são de quatro águas, o da cozinha é de três águas e o da adega de duas águas. As restantes dependências têm cobertura de uma água. |
|
| ELEMENTOS DATADOS: Placa na chaminé com a inscrição “1810”; cartela no painel do chafariz com a inscrição “1893”. |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Razoável |
| FUNÇÃO INICIAL: Habitação e apoio à atividade rural |
| FUNÇÃO ATUAL: Habitação esporádica |
| DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-23 |
|
|
|
|
|