51.182.116 Ermida da Senhora do Livramento
VELAS • Rua do Livramento
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA RELIGIOSA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc.XVIII
DESCRIÇÃO: Ermida erigida no sopé do Morro Grande, outrora em posição isolada e hoje no limite poente de uma das zonas de expansão da vila. Apesar de estar muito transformada e parcialmente descaracterizada (as atuais capela-mor e sacristia são de construção relativamente recente e sem qualquer qualidade arquitetónica), ainda conserva valores que testemunham a relevância do primitivo edifício e da sua implantação.
Está implantada sobre um adro retangular muito elevado, em posição sobranceira ao mar, com altos muros de suporte que acentuam a sua forma paralelepipédica. Acede-se ao adro por uma escada, do lado sudeste, com dois lanços simétricos encostados ao muro de suporte, que se unem num único lanço perpendicular aos primeiros e alinhado pelo caminho calcetado que conduz ao portal da ermida.
A fachada principal da ermida está delimitada pelo soco, por cunhais apilastrados encimados por pináculos e por um pseudofrontão mistilíneo delimitado por volutas que elevam uma cruz em pedra. Na quebra das volutas há um pináculo em cada lado. O portal, rematado por um entablamento complexo, está enquadrado por duas pilastras assentes em pedestais e relevadas sobre o entablamento onde formam sucessivos capitéis. Têm pináculos semiembebidos sobre a cornija superior. A eixo desta cornija assenta uma pequena janela retangular rematada por dupla cornija. A eixo da cornija superior assenta uma composição decorativa em relevo. Na fachada lateral direita há um portal rematado por um entablamento simplificado. Ao lado direito deste portal há uma janela de verga reta e moldura simples (que deveria iluminar o primitivo altar-mor).
A nave, coberta por uma abóbada de berço, é comprida e estreita. O arranque da abóbada é parcialmente acompanhado por uma cornija em cantaria. Do lado esquerdo de cada uma das portas exteriores há uma pia de água benta em consola com a bacia semiesférica concheada. Na parede do lado do evangelho há uma porta de acesso à antiga sacristia. No interior, as portas laterais têm também um entablamento simplificado. Sobre a porta principal há também cornija. A janela de peito que fica à esquerda do portal do lado da epístola tem a cornija em ressalto sobre a cornija/imposta da abóbada.
O corpo primitivo do imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco. O soco, os cunhais, as cornijas, as volutas, os pináculos, a cruz, as molduras dos vãos e os elementos decorativos são em cantaria à vista.
A cobertura é de duas águas rematada em beiral simples sobre as fachadas laterais. Os muros do adro e a respetiva escada são construídos em tufo com vestígios de caiação.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom
FUNÇÃO INICIAL: Ermida
FUNÇÃO ATUAL: Ermida
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AVELLAR, José Cândido da Silveira, Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História, Horta, Typ. Minerva Insulana, 1902; MACIEL, Frederico, Igrejas e Ermidas que Foram nas Velas (texto policopiado), s/l, s/n, s/d; MONTEREY, Guido de, Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago, Porto, edição do autor, 1981; SOUSA, J. Duarte de, Ilha de S. Jorge – Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2003.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-09
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