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| 22.172.23 QUINTA DE NOSSA SENHORA DOS PRAZERES |
| PICO DA PEDRA • RUA JOÃO LUÍS PACHECO DA CÂMARA, Nº41 |
| UNIDADE PAISAGÍSTICA CONSTRUÍDA |
| VALOR CONCELHIO |
| (Resolução nº174/2002, de 24 de Outubro) |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XV/SÉC.XVII |
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DESCRIÇÃO: Unidade paisagística formada por duas casas de habitação, sete construções anexas de apoio à agricultura, ermida, "treatro"
(império), pátio, jardins e campos de pasto e cultivo.
As casas e os anexos principais dispõem-se em torno de um pátio rectangular lajeado, ficando a ermida e o "treatro" numa zona
mais afastada, sobranceira ao conjunto, acessível também directamente do exterior.
O "treatro" é uma pequena construção de planta rectangular, aberta na frente e do lado esquerdo e assente num "pódio" elevado
sobre três degraus. A sua configuração assemelha-se a um templo, com cobertura de duas águas em telha de meia-cana tradicional
e beiral simples. Na fachada principal a arquitrave é suportada pelos pilares/cunhais e por duas colunas de secção quadrada
que enquadram a entrada. Na fachada lateral esquerda há também duas colunas de secção quadrada a suportar a arquitrave, mas
são mais curtas por assentarem num murete. As colunas, os pilares e a arquitrave são em pedra à vista. O pavimento é lajeado.
A ermida é de configuração simples, de planta rectangular, com uma capela lateral e um anexo, ambos do lado direito. A sua
fachada está enquadrada pelos cunhais e por um frontão, tendo ao centro a porta de entrada principal e, por cima desta, uma
janela (de guilhotina) que se apoia na cornija da porta e intersecta o lintel e a cornija da fachada. O frontão é delimitado
por volutas, enquadrado por pináculos laterais e encimado por uma cruz. Do lado direito da fachada pode ver-se um campanário,
constituído por um muro rectangular situado no prolongamento da fachada, onde se abre um vão rematado em arco onde se encontra
o sino. O interior é de uma só nave e tem, na capela-mor, um retábulo de madeira pintada com características rococós. A estrutura
de madeira de suporte do telhado é aparente. A cobertura é de duas águas, em telha de meia-cana tradicional, com telhão na
cumeeira e beiral duplo, sendo a cumeeira rematada por uma cruz junto à fachada posterior. A água do lado direito prolonga-se
de modo a cobrir também a capela lateral. O anexo (sacristia?) é coberto por um telhado de três águas.
O acesso ao pátio principal da propriedade faz-se directamente do exterior através de um portal que é enquadrado por pilastras
encimadas por pináculos e rematado por um frontão contracurvado e delimitado por volutas com uma cruz no topo. No tímpano
existe uma pedra de armas. O acesso a ambas as casas faz-se por duas escadas simétricas situadas do lado esquerdo do pátio grande, que desembocam num
pequeno pátio de distribuição situado num nível superior ao pátio de entrada e ligeiramente inferior à plataforma onde se
situam a ermida e o "treatro".
A casa de habitação de menores dimensões é a construção mais antiga da quinta. Tem planta rectangular, um só piso e tem telhado
de quatro águas em telha de meia-cana tradicional, telhão na cumeeira e beiral duplo. Na fachada virada à rua, junto ao portal
de entrada, tem uma janela com moldura, cornija e avental em cantaria à vista. Este edifício foi alvo de uma ampliação ao
longo de quase toda a fachada lateral direita. Em frente a esta casa situa-se outra de maiores dimensões e de construção mais recente. A habitação desenvolve-se num só piso
por baixo do qual, fazendo o aproveitamento do desnível do terreno, existem vários compartimentos para arrumos. Na fachada
principal, junto à qual se situa a cozinha (a parte mais antiga desta casa) apresenta uma chaminé de grandes dimensões que
sobressai no conjunto, apoiada no interior em dois arcos de pedra. A configuração da casa é em "U", em resultado das sucessivas
ampliações a que foi sujeita. O telhado é do tipo de quatro águas, em telha de meia-cana tradicional, com beiral duplo e telhão
na cumeeira. No pátio grande, à volta do qual se distribuem as duas casas e os cinco anexos principais, existem quatro plátanos de grande
porte. Aqui encontra-se também um conjunto de dois tanques rectangulares encostados ao muro que encerra o pátio do lado nascente.
O tanque da esquerda tem uma inscrição com a data "1819". Centrada em relação aos dois tanques encontra-se uma porta de acesso
ao jardim, por cima do qual existe uma cruz de pedra com um pequeno registo de azulejos na base com a inscrição "P. N. AVE
MARIA". As cinco construções anexas que encerram este pátio, formando um "L", correspondem a um antigo granel com aberturas nas fachadas
(serve também de pombal), ao edifício onde é feita a refrigeração do leite, a uma garagem, à casa da manteiga e às antigas
cavalariças. Todas estas construções são, individualmente, de planta rectangular.
Por trás destas construções ainda se pode ver o edifício dos silos, actualmente em mau estado de conservação, e um conjunto
de telheiros. Todo o conjunto, já de si heterogéneo devido a resultar de construções diferidas no tempo, sofreu ainda algumas ampliações
e alterações relativamente recentes, algumas das quais comprometendo a unidade do conjunto. Os edifícios anteriores a estas
últimas intervenções são construídos em alvenaria de pedra, em geral rebocada e pintada de rosa. A maior parte das molduras
dos vãos, dos cunhais, das faixas sob os beirais e dos elementos decorativos aparecem hoje em pedra à vista, o que, originalmente,
não acontecia, ou pelo menos não acontecia com a expressão actual.
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| ELEMENTOS NOTÁVEIS: Ermida, "treatro" e portal de entrada. |
| ELEMENTOS DATADOS: Inscrição no tanque: "1819". |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom |
| FUNÇÃO INICIAL: Habitação, lazer e apoio à actividade agro-pecuária |
| FUNÇÃO ACTUAL: Habitação, lazer e apoio à actividade agro-pecuária |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: "Noticia sobre as igrejas, ermidas e altares da Ilha de S. Miguel", Ernesto do Canto, Insulana, vol. LVI, Instituto
Cultural de Ponta Delgada, Ponta Delgada, 2000;
Roteiro do Pico da Pedra, Gilberto Bernardo, Junta de Freguesia do Pico da Pedra, Pico da Pedra, 1999; "Memorias da Freguezia de Nossa Senhora dos Prazeres do Logar do Pico da Pedra, colligidas de documentos e tradições pelo
Vigário da mesma Freguezia Antonio Furtado de Mendonça, no anno de 1913", in "Revista Micaelense", ano 4º, nº2, Junho de 1921,
Ponta Delgada;
Ficha 142/São Miguel do "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores". |
OBSERVAÇÕES: No exterior, perto do portão e atrás do antigo granel, encontra-se um chafariz com a data "1876".
A propriedade integra o Pico da Pedra, elevação que deu o nome à freguesia. |
| DATA DE LEVANTAMENTO: 2002-12-04 |
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