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| 22.221.76 SOLAR DO VENCIMENTO |
| CONCEIÇÃO • RUA DE NOSSA SENHORA DO VENCIMENTO |
| EDIFÍCIO ISOLADO |
| ARQUITECTURA DOMÉSTICA |
| IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO |
| (Resolução 64/84, de 30 de Abril) |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XVII/SÉC.XVIII |
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DESCRIÇÃO: Solar com capela implantado numa posição proeminente da periferia oeste da Ribeira Grande. A entrada na propriedade faz-se por um portal monumental incompleto do qual se vê o embasamento e os arranques das pilastras.
Dá acesso a um terreiro aproximadamente rectangular limitado a norte por um murete com banquetas que se apoia num muro de
suporte do terreno e a sul pela habitação. No terreiro destacam-se duas araucárias de grande porte. Do lado poente está limitado
por uma pequena construção com cobertura de quatro águas, correspondente à garagem, e por um muro alto com um portão de acesso
ao jardim. Este portão está enquadrado por pilastras encimadas por pináculos e por uma cornija dupla. A habitação é constituída por dois corpos implantados em "T": o corpo principal, com a fachada virada a norte, tem dois pisos
mais sótão e planta rectangular; o corpo menor, que corresponde à cozinha, entesta a meio do tardoz do corpo principal, é
também rectangular, mas tem um só piso implantado ao nível do segundo piso da habitação. Neste último destaca-se o volume
de uma chaminé de grande dimensão.
A fachada principal da habitação está dividida em dois níveis por uma faixa horizontal implantada ao nível do pavimento do
segundo piso. Cada vão do piso térreo (quatro portas e uma janela ao centro) tem correspondência, no segundo piso, a uma janela
de sacada com varanda saliente. Do lado direito da porta de entrada, por cima da faixa horizontal, há uma pequena janela de
iluminação da escada. As janelas de sacada têm a moldura rematada superiormente por um friso com dois rombos em ponta de diamante
e por uma cornija (alguns com um pequeno rectângulo entre os rombos), enquadrando-se no "estilo micaelense". A fachada lateral
direita tem duas pequenas janelas de diferentes dimensões ao nível do rés-do-chão, duas janelas com aventais aparentes e moldura
encimada por friso com rombos e cornija ("estilo micaelense") ao nível do segundo piso e, para iluminação do sótão, uma janela
de sacada com a varanda apoiada numa cornija que contorna a casa.
A capela tem a fachada na continuidade da fachada do corpo principal da habitação e situa-se do lado esquerdo. É precedida
de uma escadaria que arranca junto ao portal da propriedade. O corpo principal, de maiores dimensões, corresponde à nave.
A fachada principal, enquadrada por dois cunhais encimados por pináculos, tem uma porta axial com verga recta, encimada por
uma janela com verga curva e dupla cornija e com um avental aparente que assenta na verga da porta. As ombreiras da janela
prolongam-se para cima ligando à cornija ondulada que faz o remate superior da fachada. Na vertical das ombreiras da janela
situam-se mais dois pináculos e, no topo superior, uma cruz. O corpo situado à esquerda da ermida (antiga sacristia?) tem
a porta enquadrada por um arco de volta inteira assente em impostas e é encimado por um campanário com o vão do sino em arco
de volta inteira enquadrado por dois cunhais com pináculos. Há um terceiro corpo, no tardoz da nave, que corresponde à capela-mor.
No interior, de planta rectangular, há um coro alto sobre a entrada ao qual se acede por uma escada, com guarda de madeira,
encostada à parede do lado da epístola, ou por uma porta de comunicação directa com a habitação (hoje emparedada). A escada tem,
a meio, um patamar que corresponde ao púlpito e ao qual também se pode aceder pelo interior da habitação. A capela-mor, onde
se encontra um retábulo de madeira pintada, está coberta com uma abóbada de berço. O pavimento da capela é lajeado e tem,
junto aos dois degraus que elevam a capela-mor, a eixo, uma lápide tumular com a inscrição "CO / SA DFRTAVARES HOMEM / ED(E)SSVA
MOLHER - D - MARIA / DO REGO E D(E)SEVS HERD(E)IR / OS IA SEM NEA OS OSSOS D(E)SE / VFº D(A)NIEL TAVARES HO - F / ORA OTRESLADAD
/ OS D(A) CD(E) D(E) COIMBRA / NA ERA - D - / 1665".
O edifício é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, excepto o soco, os cunhais, as cornijas, a faixa
horizontal, as molduras dos vãos, as consolas das varandas, os pináculos e a cruz que são em cantaria à vista. As coberturas
são em telha de meia-cana tradicional, com telhão na cumeeira e beiral duplo, sendo de duas águas no corpo principal e na
capela, de três águas no corpo da cozinha e de uma água nos corpos anexos.
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| ELEMENTOS DATADOS: Inscrição numa lápide tumular: "1665". |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Mau |
| FUNÇÃO INICIAL: Habitação |
| FUNÇÃO ACTUAL: Habitação |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: "Noticia sobre as igrejas, ermidas e altares da Ilha de S. Miguel", Ernesto do Canto, Insulana, vol. LVI, Instituto
Cultural de Ponta Delgada, Ponta Delgada, 2000; Arquitectura Popular dos Açores, AAVV, Ordem dos Arquitectos, [Lisboa], [2000];
Ficha 171/São Miguel do "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores";
Ficha 47-B2 do "Inventário do Património Arquitectónico da Ribeira Grande";
Ficha 47-B2 do "Plano de Urbanização da Ribeira Grande - Património Construído". |
OBSERVAÇÕES: No muro exterior da propriedade há um chafariz com remate em arco quebrado, ladeado por dois bebedouros inseridos em arcos
embutidos no próprio muro. Ao centro do pano de parede delimitado pelo arco quebrado há uma placa com a inscrição "C.M. /
CONSTRUCÇÃO / 1861 / ÁGUA REAL / 1888". Esta espécie faz parte de um conjunto edificado.
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| DATA DE LEVANTAMENTO: 2003-02-15 |
| REMISSÕES: 22.235.159 |
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