32.19.58 IGREJA MATRIZ DE SANTA CRUZ
SANTA CRUZ • LADEIRA DE SÃO FRANCISCO
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITECTURA RELIGIOSA
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO
(Resolução nº41/80, de 11 de Junho)
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XV/SÉC.XVII
DESCRIÇÃO: Edifício constituído pelo corpo das naves, rectangular, pelo corpo da capela-mor, igualmente rectangular mas com a largura aproximada da nave central, por duas torres sineiras, uma de cada lado da fachada principal, e por diversos corpos rectangulares (correspondentes aos absidíolos, às capelas laterais, à sacristia e a outros anexos) adossados a ambos os lados dos corpos das naves e da capela-mor.
A fachada principal tem um portal axial tardogótico com três arquivoltas lisas e respectivos colunelos, muito finos, encastrados. Há uma quarta arquivolta, exterior, trabalhada ao gosto manuelino, com uma derivação contracurvada rematada por um enorme cogulho. Este conjunto insere-se num gablete acima do qual se situa uma pequena rosácea de gosto flamejante. Na mesma fachada, que é rematada por uma cornija constituída por segmentos de curvas e contracurvas como se fosse o remate superior de um frontão, existem ainda seis janelas (com vergas curvas, encimadas por cornijas e sobrepujadas por volutas decorativas em relevo): uma de cada lado do portal, ao nível inferior, e duas de cada lado do gablete, ao nível superior. Existem também quatro cartelas: uma triangular, junto ao vértice superior da fachada, com a inscrição "REPARATA SUB / ANO 1843 A RU / INA TERRÆ MOTUS 15 / JUNII / 1841"; uma rectangular, entre o vértice do gablete e a rosácea, com a inscrição "SACRATA / 1517"; duas triangulares, uma à esquerda outra à direita do gablete, respectivamente com as inscrições "FUNDA / TA / 1456" e "REPARA / TA / 1810".
As torres sineiras têm plantas quadradas e estão divididas em duas partes, a dois terços da altura, pelo prolongamento horizontal da cornija de remate da fachada. Têm cunhais bem marcados e estão separadas da fachada por pilastras. Cada uma tem, no nível inferior, uma janela de verga curva. Os terços superiores correspondem aos campanários e têm um sino em cada uma das quatro faces, inseridos em vãos com arcos de volta inteira, peraltados, sobre impostas. As torres são rematadas por cornija e platibanda com pináculos aos cantos.
O portal da fachada lateral direita tem características manuelinas e insere-se num gablete pouco saliente. As duas arquivoltas exteriores têm arcos de volta inteira sendo a mais externa muito trabalhada e rematada por um pujante cogulho. Uma terceira arquivolta, interna, recorta-se junto à porta por meio de um arco contracurvado muito rebaixado (como se envolvesse dois arcos ultrapassados).
O portal da fachada lateral esquerda, também com características manuelinas, é mais simples e tem duas arquivoltas com arcos contracurvados sendo o exterior rematado por um cogulho.
O volume exterior correspondente às duas capelas manuelinas do lado da epístola tem uma cimalha rendilhada onde sobressai uma gárgula zoomórfica. No ângulo formado por este corpo e pelo corpo do absidíolo encontra-se um corpo mais baixo com duas janelas sobrepujadas por cornijas e com várias cartelas de ascendência maneirista embutidas na parede (transportadas de outra construção e aqui montadas).
O interior da igreja é constituído por três naves separadas por duas séries de seis arcos de volta inteira apoiados em altos pilares de secção quadrada que estreitam ligeiramente da base para o capitel. Os tectos foram reconstruídos em madeira (com três esteiras na nave central e duas esteiras assimétricas nas naves laterais), embora a nave central conserve uma expressiva cornija em pedra ligeiramente desfasada do arranque do tecto.
A cabeceira é constituída por três capelas, cada uma no enfiamento e à proporção da respectiva nave. O arco triunfal está coberto de pintura com marmoreados e tem aplicações em talha barroca dourada e marmoreada de gosto rococó. Os arcos de acesso aos absidíolos estão revestidos de talha dourada. A capela-mor tem cobertura em abóbada de canhão com caixotões quadrados com pontas de diamante em relevo nos centros. O retábulo imita a talha de estilo nacional. As paredes laterais têm lambris de azulejo rococó interrompidos por cadeirais. Mais acima têm uma janela de cada lado e diversas pinturas de grandes dimensões.
O absidíolo do lado do evangelho está integralmente revestido com talha dourada incluindo a cobertura em abóbada de canhão com caixotões quadrados. O absidíolo do lado da epístola tem cobertura em abóbada de canhão com elementos decorativos, em relevo, de gosto maneirista. Ambos os absidíolos têm retábulos de talha dourada de estilo nacional.
Ao longo da nave lateral do lado do evangelho, no sentido da entrada para a cabeceira, encontram-se: um baptistério sob a torre sineira, coberto com abóbada de arestas; um arco cego (destinado a um altar ou um retábulo?); a porta de entrada lateral; uma capela, coberta com abóbada de berço com caixotões quadrados, que comunica com a nave por meio de um arco de volta inteira; duas capelas de planta quadrangular, cobertas com abóbadas de nervuras simples (cada uma com dois tramos) com chaves e mísulas elaboradas, que comunicam com a nave por meio de arcos de volta inteira de sabor manuelino.
Na nave lateral do lado da epístola, no sentido da entrada para a cabeceira, situam-se: uma porta de acesso à torre; um arco cego (destinado a um altar ou um retábulo?); a porta de entrada lateral; um segundo arco cego; duas capelas quadrangulares, cobertas com abóbadas de nervuras (incluindo nervuras contracurvadas) de arranques muito baixos, que comunicam com a nave através de arcos de sabor manuelino (o primeiro ligeiramente quebrado e o segundo de volta inteira).
A área central da igreja, destinada à assistência, está demarcada do percurso envolvente, em "U", de acesso às capelas laterais e à cabeceira, por meio do ressalto de um degrau no pavimento resguardado por uma balaustrada, em madeira, de torcidos e tremidos.
ELEMENTOS NOTÁVEIS: No exterior, os três portais e a rosácea. No interior, várias pedras tumulares (e vestígios de outras), as abóbadas de todas as capelas laterais, da capela-mor e do absidíolo do lado da epístola e a talha do absidíolo do lado do evangelho.
ELEMENTOS DATADOS: Inscrições em cartelas na fachada: "1456", "1517" e "1810". Inscrição na verga da porta da sacristia: "1761".
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom
FUNÇÃO INICIAL: Igreja
FUNÇÃO ACTUAL: Igreja matriz
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: "Os Portais da Matriz da Vila da Praia da Vitória", Virgílio Correia, in Memorial da Muito Notável Vila da Praia da Vitória, no Centenário da Acção de 11 de Agosto de 1829, Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, 1929; Freguesias da Praia, Pedro de Merelim, Vol.II, Direcção Regional de Orientação Pedagógica, Angra do Heroísmo, 1983; Fichas 76 e 77/Terceira do "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores"; Ficha 1-E do "Inventário do Património Histórico e Religioso para o Plano Director Municipal da Praia da Vitória".
OBSERVAÇÕES: No adro da igreja existe um monumento do período do Estado Novo, evocativo da Restauração da República Portuguesa.
De acordo com um rol publicado pelo Bispado de Angra, esta igreja ficou "danificada e impossibilitada de servir ao culto" em resultado dos estragos causados pelo sismo de 1 de Janeiro de 1980.
Esta espécie faz parte de um conjunto edificado (32.19.49).
REMISSÕES: 32.19.49
DATA DE LEVANTAMENTO: 1999-03-20
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mapa: 19
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