41.27.146 Igreja Matriz de Santa Cruz
SANTA CRUZ • Largo da Matriz
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITECTURA RELIGIOSA
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO (RESOLUÇÃO Nº 58/96, DE 4 DE ABRIL)
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XV/SÉC.XVII
DESCRIÇÃO: Igreja de três naves implantada num adro murado e em posição proeminente no aglomerado urbano. É composta pelo corpo das naves, ao qual encostam o baptistério e três capelas laterais do lado do evangelho, a torre sineira e um corpo que inclui duas capelas laterais e a sacristia, do lado da epístola, e pelas três capelas da cabeceira.
A fachada principal, enquadrada pelo soco, pelos cunhais e por uma cornija sobre a qual assenta um frontão triangular, está dividida em três secções por meio de pilastras.
A secção central tem uma porta a eixo, de grandes dimensões, com uma moldura de ressaltos. Há duas pilastras sobrepostas de cada lado da porta, com base e plinto salientes, com losangos em relevo no fuste e nos plintos. A meio do fuste têm uma flor em relevo. As pilastras são rematadas por capitéis pseudo-coríntios, unidos por um lintel com elementos vegetais em relevo. Este lintel é encimado por mais dois lintéis, cada um rematado por uma cornija que, sobre as pilastras, assume a expressão de capitéis. Estas pilastras têm continuidade, sempre na mesma vertical, até às cornijas que emolduram o frontão da fachada onde assumem novamente a expressão de capitéis. Ladeiam duas janelas sobrepostas, situadas ao nível do coro alto. A moldura da janela de baixo, também com ressaltos, está parcialmente apoiada em plintos/mísulas. A moldura da janela de cima, que interrompe a cornija de remate da fachada, é encimada por uma cornija. Sobre esta há um elemento em cantaria com inscrições não perceptíveis. Sobre o vértice do frontão, cortado, assenta uma cruz com uma base semelhante a um pináculo ladeada por volutas. Cada secção lateral da fachada tem uma janela (com lintel duplo encimado por cornija), assente no soco e outra, com avental almofadado, ao nível do coro. Estas quatro janelas têm as arestas das molduras boleadas. Junto aos cunhais, ao nível da cornija das janelas do coro, há gárgulas cúbicas. No ângulo entre cada cunhal e a cornija superior há um remate de pilastra acima do qual assenta um pináculo.
Ao lado esquerdo da fachada vê-se o corpo do baptistério, ligeiramente recuado, onde se destaca uma rosácea em cantaria.
Ao lado direito da fachada, mas à face, situa-se o corpo da torre sineira que se encontra dividido em dois níveis por uma cornija. No nível inferior, mais alto, há uma janela igual às das secções laterais do coro alto e posicionada à mesma altura daquelas. A almofada da janela tem a inscrição: "P1732T1743 / AVDAS". A eixo, por cima da janela, há um relógio circular. O nível superior tem um vão de sino em cada face livre, rematado em arco de volta inteira peraltado assente em impostas com o fecho saliente. Na face voltada para as coberturas tem dois vãos de menores dimensões. A torre é enquadrada pelos cunhais e rematada superiormente por uma cornija e por uma platibanda com orifícios triangulares e circulares, com um pináculo em cada canto. É encimada por um coruchéu octogonal com um cata-vento no topo.
No interior da igreja, as três naves são separadas por duas fiadas de seis arcos de volta inteira, assentes em colunas cilíndricas com bases e capitéis bojudos de secção poligonal. A irregularidade de disposição das diversas capelas e o desencontro de paredes e arcos denunciam obras que foram transformando a disposição e dimensão da igreja.
A entrada é protegida por um guarda vento de madeira sobre o qual se encontra o coro alto que ocupa todo o espaço do primeiro tramo à largura das três naves e tem, a meio, um balanço contracurvado. Na zona central tem um órgão. As janelas que iluminam as zonas laterais têm conversadeiras. O acesso ao coro faz-se pela escada da torre sineira, cuja entrada fica do lado da epístola, através de um arco de volta inteira assente em impostas, muito profundo, e de uma "antecâmara" abobadada.
De cada um dos lados do guarda vento há uma pia de água benta, ao lado de colunas embutidas correspondentes aos apoios dos primeiros arcos. Do lado do evangelho, situa-se o baptistério, acessível por um arco de volta inteira, elevado por um degrau. O arco e os pés-direitos têm o intradorso moldurado. O baptistério é coberto por uma abóbada de nervuras tardogótica, com elementos florais nos fechos. Tem uma pia baptismal circular e é iluminado por um óculo com um vitral correspondente à rosácea visível no exterior. O pavimento é lajeado.
Na zona do segundo tramo há uma capela lateral do lado do evangelho, enquadrada por um arco de volta inteira assente em impostas e pés-direitos com base e plintos salientes. Ao fundo (acessível por três degraus) há um retábulo em talha barroca pintada e dourada (tardia ou revivalista?) que inclui pintura ingénua. O pavimento é lajeado e o tecto é de três esteiras em madeira, de construção recente. Do lado da epístola, no espaço correspondente ao segundo tramo, há um nicho na parede lateral, rematado em arco de volta inteira assente em impostas, com bases assentes numa pequena plataforma elevada por um degrau. Tem um retábulo remontado que inclui elementos de talha barroca dourada e pintada (estilo nacional?), um altar escaiolado de sabor rococó e três pinturas. Toda a parede envolvente do nicho é revestida por azulejos rococó, onde se pode ler de ambos os lados a inscrição "O VIGRO DOMINGOS / DA SILVA ENSTITUIO / ESTA CAPELLA / NO ANNO / DE 1744".
No espaço do terceiro tramo, do lado da epístola, há uma porta de comunicação com o exterior encimada por uma janela. Ao lado esquerdo da porta há uma pia de água benta com a parte inferior concheada. Na parede lateral oposta há duas janelas sobrepostas.
No espaço do quatro tramo em cada uma das paredes laterais há um nicho rematado em arco de volta inteira assente em impostas, onde se insere um retábulo. O retábulo do lado da epístola, pintado e dourado, é barroco (de "estilo nacional") e tem um altar de sabor rococó. O do lado do evangelho inclui três telas pintadas.
No quinto tramo há uma capela lateral de cada lado, ambas enquadradas por arcos de volta inteira assentes em impostas, com bases e plintos salientes, elevados por um degrau. A capela do lado do evangelho tem um grande retábulo tardobarroco, em talha dourada e escaiolada, elevado por três degraus. Todo o pavimento da capela é lajeado e elevado por um degrau comum às capelas do tramo seguinte e às da cabeceira. A capela do lado da epístola não tem retábulo e comunica com a sacristia através de uma porta acessível por três degraus em cantaria. Ambas as capelas do quinto tramo têm o tecto, recente, em madeira em forma de abóbada de canhão.
A sacristia tem uma antecâmara com ligação directa à rua. Dentro da sacristia, de planta rectangular, há um grande arcaz em madeira que ocupa toda a parede lateral. Ao fundo da sacristia há um compartimento enquadrado por um grande arco, como se fosse uma capela-mor, onde se situa um lavabo em cantaria de grandes dimensões.
Na zona correspondente ao sexto tramo, as capelas estão ligeiramente recuadas em relação às paredes laterais, simulando um pequeno transepto. A capela do lado do evangelho tem um retábulo em talha barroca ("estilo nacional") pintado em tons de azul, creme/amarelo e dourado. Comunica com a capela do quinto tramo por um arco de volta inteira simples e com o pseudo-transepto por um arco de volta inteira moldurado, assente em impostas. O tecto é em madeira em forma de abóbada de canhão. A capela do lado da epístola tem uma parede revestida a azulejos barrocos e também comunica com a capela do quinto tramo e com o pseudo-transepto por arcos de volta inteira nervurados, assentes em impostas. Na parede do fundo tem um retábulo barroco ("estilo nacional"). Está coberta por uma abóbada de canhão com caixotões de cantaria à vista.
Na cabeceira, todas as capelas são acessíveis por arcos de volta inteira assentes em impostas, e comunicam entre si por arcos semelhantes, mas de menores dimensões. A capela-mor é mais profunda e mais larga do que as colaterais e tem um retábulo maneirista, em talha dourada, que inclui cinco telas pintadas. A zona posterior da capela-mor está elevada por cinco degraus. Tem um tecto recente de três esteiras em madeira. A capela colateral do lado da epístola tem um retábulo em talha maneirista pintada e dourada, elevado por três degraus. É coberta por uma abóbada de canhão com caixotões. A capela colateral do lado do evangelho é semelhante a esta, mas o retábulo, em talha dourada e escaiolada, é de expressão barroca tardia ou revivalista. Está coberta por uma abóbada de berço de caixotões em cantaria à vista.
A igreja é construída em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, excepto os arcos, as abóbadas, o soco, os cunhais, as cornijas, as pilastras, os pináculos, a cruz, as molduras dos vãos e os elementos decorativos que são em cantaria à vista. As coberturas variam entre uma e três águas, em telha de meia-cana tradicional, com beiral simples e telhão na cumeeira. A cobertura do baptistério é de três águas, rebocada e pintada de branco.
ELEMENTOS NOTÁVEIS: Abóbada e rosácea do baptistério; retábulo da capela-mor; abóbadas de caixotões das três capelas (colaterais da cabeceira e sexto tramo do lado da epístola).
ELEMENTOS DATADOS: Almofada da janela da torre com as datas "1732" e "1743" inscritas; painel de azulejos da parede do lado da epístola com a data "1744" inscrita.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom
FUNÇÃO INICIAL: Igreja
FUNÇÃO ACTUAL: Igreja paroquial
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: Igrejas e Ermidas da Graciosa, Vital Cordeiro Dias Pereira, Secretaria Regional da Educação e Cultura / Direcção Regional dos Assuntos Culturais, Angra do Heroísmo, 1986; Ilha Graciosa (Açores) / Descripção Historica e Topographica, Antonio Borges do Canto Moniz (1883), edição facsimilada, Instituto Açoriano de Cultura, Angra do Heroísmo, 1981; Arquitectura dos Açores / Subsídios Para o Seu Estudo, Francisco Ernesto de Oliveira Martins, Secretaria Regional dos Transportes e Turismo / Direcção Regional de Turismo, Horta, 1983; "Igreja Matriz de Santa Cruz da Graciosa", António Machado Alves, in Santa Cruz da Graciosa, Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, 1ª edição, Publiçor, s./l., 2004; Ficha 10/Graciosa do "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores"; Ficha 25 do "Plano de Salvaguarda de Santa Cruz da Graciosa".
OBSERVAÇÕES: Esta espécie faz parte de um conjunto edificado.
REMISSÕES: 41.27.147
DATA DE LEVANTAMENTO: 2004/07/15
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mapa: 27
Graciosa. Santa Cruz
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