51.162.62 CASA E ERMIDA DO DESTERRO
SANTO AMARO • RUA DO DESTERRO, Nº 13, FAJÃ DE SANTO AMARO
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA DOMÉSTICA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc.XVIII
DESCRIÇÃO: Casa rural abastada com ermida anexa. A habitação, implantada à face da estrada, tem planta em “L”, com dois pisos, correspondendo o braço mais pequeno, no tardoz, ao corpo da cozinha.
A ermida fica recuada em relação à estrada e ligeiramente em viés em relação à habitação. Está implantada sobre um adro murado, nivelado e elevado em relação à estrada, formando um “L” grosseiro cujo braço maior preenche o espaço entre a fachada da ermida e a berma. O braço menor está do lado da fachada lateral esquerda da ermida e entesta no corpo da sacristia. Ao adro acede-se por uma pequena escada axial, rasgada no próprio adro e interrompendo o muro exterior. A fachada da ermida está enquadrada pelo soco, por cunhais apilastrados, sobre pedestais bastante salientes, encimados por pináculos, e por uma cornija que acompanha a inclinação das águas do telhado. No vértice cortado assenta uma cruz. O portal tem as arestas da moldura boleadas e é rematado por um lintel alto encimado por cornija. A metade inferior do lintel está ligada aos cunhais por uma faixa horizontal em pedra. Na sacristia, encostada à fachada lateral esquerda da ermida, abre-se uma porta e uma janela de peito. Na continuidade da fachada principal da ermida, do lado direito, há um muro de remate angular que a liga à casa.
A fachada principal da habitação está organizada segundo um eixo de simetria: tem três portas no piso térreo (as duas laterais correspondentes às “lojas”) e uma janela de sacada ladeada por janelas de peito no piso superior. As portas são acessíveis por um passeio elevado e nivelado que compensa a inclinação da estrada. Na fachada lateral esquerda há uma janela de peito correspondente ao topo do braço maior do “L” e outra janela, mais pequena, correspondente à cozinha. Ao topo da cozinha encosta a “caixa do lar” com janelinha “da gateira” e com forno semicilíndrico e uma enorme chaminé de “mãos postas” acoplados. A eixo da empena direita abre-se uma porta, ao nível do piso superior, para um antigo balcão sem escada de acesso exterior. O imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco. O soco, os cunhais, a cornija, a faixa e as molduras dos vãos, são em cantaria à vista com as juntas avivadas de branco. A faixa que simula o soco da habitação é pintada de cinzento. Os pináculos e a cruz da ermida são pintados de branco. A fachada da ermida fica prejudicada pela espessura do reboco, que está saliente em relação às cantarias, e pelas juntas avivadas de branco. A fachada da habitação fica prejudicada por as pedras aparelhadas do cunhal e das fiadas mais próximas não estarem rebocadas e pintadas como era devido. As portas e as caixilharias das janelas são em madeira. O portal da ermida e as portas da sacristia e da habitação (de um e dois batentes) são pintados de verde. As caixilharias das janelas são pintadas de branco com os aros fixos pintados de verde. As janelas de peito são de guilhotina, de duas folhas na sacristia e na cozinha e de três as restantes. A janela de sacada tem dois batentes e bandeira e está protegida por uma guarda em madeira pintada de verde. As coberturas são de duas águas (a da habitação dobra no ângulo), em telha de meia-cana tradicional, rematadas em beiral duplo sobre a fachada principal da habitação e em beiral simples sobre as restantes fachadas.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Mau
FUNÇÃO INICIAL: Habitação, ermida e apoio à atividade rural
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AVELLAR, José Cândido da Silveira, Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História, Horta, Typ. Minerva Insulana, 1902; SOUSA, J. Duarte de, Ilha de S. Jorge – Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2003.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-15
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