51.110.3 ERMIDA DE SÃO MIGUEL ARCANJO
NORTE GRANDE • ESTRADA REGIONAL 1-2, RIBEIRA DA AREIA
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA RELIGIOSA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc.XIX
DESCRIÇÃO: Ermida implantada junto à estrada, sobre um adro elevado, murado e acessível por uma escada aberta axialmente no muro virado à rua e por outra a nascente. O adro tem a forma de “L” envolvendo a fachada principal e a fachada lateral direita.
A ermida é constituída pelo corpo da nave, pelo corpo da capela-mor (ligeiramente mais estreito) e pela torre sineira.
A fachada principal está delimitada pelo soco alto, por cunhais (o cunhal direito é rematado por um pináculo e o cunhal esquerdo é partilhado com a torre) e por um pseudofrontão contracurvado, delimitado por volutas unidas no vértice por uma cornija com uma cruz no topo. Há outra cruz no extremo oposto da cumeeira. O portal axial é rematado por um entablamento simplificado com pináculos sobrepostos nos extremos. O portal está encimado por uma janela igualmente rematada por um entablamento simplificado. Acima da janela há uma inscrição já pouco percetível com a data “1825”.
A torre sineira encosta à fachada lateral esquerda alinhada com a fachada principal. Está delimitada pelo prolongamento do soco da fachada, por cunhais e por uma platibanda sobre cornija com um pináculo em cada canto. É encimada por um coruchéu piramidal, de base octogonal, rematado por um pequeno pináculo. Na face principal da torre há uma porta de moldura simples. A torre está seccionada por uma cornija (ao nível da base do pseudofrontão da fachada) que individualiza o campanário onde se abrem quatro vãos de sino rematados em arco de volta perfeita peraltado sobre impostas. Abaixo do vão virado a sul há uma cartela com a data “1910”.
A sacristia primitiva encosta à fachada lateral esquerda da capela-mor. O espaço entre a torre e a sacristia foi preenchido por uma nova sacristia sem qualidade arquitetónica. Na fachada lateral direita da ermida há uma porta de acesso à nave.
No interior destacam-se as abóbadas de berço que cobrem a nave, a capela-mor e a sacristia primitiva. As abóbadas da nave e da capela-mor arrancam de cornijas laterais. O arco triunfal é de volta perfeita sobre pés-direitos com bases e impostas salientes. A porta de passagem para a sacristia primitiva, do lado do evangelho, tem moldura de cantaria. De salientar também a escada interna da torre sineira, toda em cantaria, com o arranque protegido por uma guarda recortada em cimento armado.
O imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco. O soco, os cunhais, as cornijas, as molduras dos vãos, as volutas, os pináculos e os elementos decorativos, são em cantaria à vista. A cobertura é de duas águas em chapa ondulada de fibrocimento.
ELEMENTOS DATADOS: Data “1825” inscrita sobre a janela da fachada; cartela na torre com a inscrição “1910”.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Razoável
FUNÇÃO INICIAL: Ermida
FUNÇÃO ATUAL: Ermida
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AVELLAR, José Cândido da Silveira, Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História, Horta, Typ. Minerva Insulana, 1902; MONTEREY, Guido de, Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago, Porto, edição do autor, 1981; SOUSA, J. Duarte de, Ilha de S. Jorge – Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2003.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-08
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