51.119.9 Igreja de Nossa Senhora das Neves
NORTE GRANDE • ESTRADA REGIONAL 1-2, NORTE GRANDE
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA RELIGIOSA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc.XVIII
DESCRIÇÃO: Igreja implantada num adro junto à estrada, sobressaindo do contexto marcadamente rural pela volumetria e pela qualidade e singularidade da composição das fachadas.
O adro é murado, contornado, no interior, por uma banqueta contínua e pavimentado com “bagacina”. É acessível, no canto sudeste, por uma escadaria curva ladeada por dois obeliscos assentes sobre bases circulares. Há um acesso mais simples, a poente, por meio de uma escada também de secção curva.
O edifício é composto pelo corpo da nave, pelo corpo da capela-mor, pela torre sineira, pelo corpo da sacristia e por duas capelas laterais, simétricas, que formam um falso transepto já transformado.
A fachada principal está enquadrada pelo soco, por cunhais apilastrados sobre pedestais (o cunhal esquerdo é partilhado com a torre sineira) e por um entablamento simplificado. É rematada por um frontão sobrelevado, delimitado superiormente por uma cornija dupla. No vértice cortado repousa uma cruz em pedra. O portal, bastante atarracado, está enquadrado por pilastras, com pedestais relevados sobre o soco, prolongadas acima do capitel e relevadas sobre o entablamento simplificado comum ao portal e às duas janelas de peito que o ladeiam. São encimadas por vasos em relevo com composições florais de cariz popular. De ambos os lados externos de cada composição há uma voluta e duas rosetas de seis folhas. Acima do portal, interrompendo o entablamento da fachada, há uma janela estreita e alta com entablamento simplificado e avental triangular. Todos os vãos desta fachada têm as arestas das molduras boleadas. Acima da janela há duas cartelas em cantaria com as datas “1762” e “1971”.
Em ambas as fachadas laterais há portais com entablamento simplificado e as arestas das molduras boleadas. A eixo de cada cornija eleva-se uma base sobre a qual repousa um painel retangular com o fundo recortado e decorado com baixos-relevos e rematado por uma cruz. O painel do portal sul tem remate curvo e na base triangular da respetiva cruz há a inscrição “IHS”. No portal norte a base triangular da cruz serve de remate ao painel retangular. Cada painel está enquadrado por duas volutas acompanhadas por rosetas do lado externo.
A torre sineira encosta à fachada lateral esquerda, na continuidade do frontispício, e está delimitada pelo soco que se prolonga da fachada principal, por cunhais e por cornija. O campanário está individualizado pelo prolongamento do entablamento de remate da fachada no qual se apoia um segundo soco. Sobre a cornija superior, no prolongamento dos cunhais, assentam altos pedestais com pináculos. Entre cada par de pedestais há um frontão de vértice cortado onde se inscreve um relógio. Estes frontões envolvem a base de um coruchéu piramidal, de base octogonal, com um pináculo no vértice. O campanário tem, em cada face, um vão de sino rematado em arco de volta perfeita, peraltado, sobre impostas. Os da face lateral direita e do tardoz são mais pequenos. No tardoz do campanário abre-se ainda a porta de acesso, à qual se chega por uma escada exterior situada no ângulo entre o corpo da torre e o da nave. Na face principal da torre há ainda, perto do soco, uma janela com as arestas da moldura boleadas.
No interior merece destaque o batistério, que preenche o piso térreo da torre sineira, acessível por um arco de volta perfeita sobre pés-direitos com pedestais, bases e impostas salientes, e coberto por uma abóbada de berço que parte de uma cornija que contorna três lados do compartimento. A nave, a capela-mor e as capelas laterais, são cobertas por falsas abóbadas de berço. É de salientar também o púlpito, muito largo, com uma consola em forma de grande mísula, cujo pé se prolonga pela parede sob a forma de pilastra, os arcos de passagem para as capelas laterais e o arco triunfal, todos de volta inteira, assentes em pés-direitos com bases e impostas salientes. Na capela-mor há um cadeiral em cada lado e o retábulo é em madeira dourada e policromada de um revivalismo barroco. A passagem para a sacristia é feita através da capela-mor por uma porta do lado da epístola. O ambiente interior fica prejudicado pelo lambril de azulejos existente na nave e no vestíbulo da sacristia. A capela-mor está revestida a azulejos azuis e brancos revivalistas, com um lambril de “albarradas” e a parte superior figurativa, assinados por “João Barata 1968”.
O imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco. Os socos, os cunhais, as molduras dos vãos, os entablamentos, as cornijas, os pináculos e demais elementos decorativos são em cantaria à vista. As coberturas são de duas águas em chapa ondulada de fibrocimento.
ELEMENTOS DATADOS: Cartelas acima da janela sobre o portal com as inscrições “1762” e “1971”.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Razoável
FUNÇÃO INICIAL: Igreja
FUNÇÃO ATUAL: Igreja paroquial
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AVELLAR, José Cândido da Silveira, Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História, Horta, Typ. Minerva Insulana, 1902; MONTEREY, Guido de, Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago, Porto, edição do autor, 1981; SOUSA, J. Duarte de, Ilha de S. Jorge – Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2003.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-08
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