51.122.15 Ermida de Santo Cristo
MANADAS • FAJÃ das Almas
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA RELIGIOSA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc.XIX
DESCRIÇÃO: Ermida de grandes dimensões localizada numa propriedade particular, sensivelmente ao centro do núcleo edificado da fajã.
À propriedade acede-se por um portal de remate contracurvado com pináculos nos extremos, no qual se abre uma porta de verga reta, acessível a partir do caminho da fajã por uma passagem empedrada.
A ermida está implantada sobre um adro nivelado, de planta retangular, situado no meio dos terrenos de cultivo. É delimitado por muretes com pináculos nos ângulos e a demarcar a única entrada, acessível por uma escada alinhada com o portal da ermida. A escada está protegida por guardas em alvenaria de pedra com arranques rematados por elementos cilíndricos.
A ermida é constituída pela nave única, sem capela-mor, pelo corpo da sacristia e pelo campanário. A fachada principal está enquadrada por pilastras encimadas por pináculos e por uma faixa que acompanha a inclinação das águas do telhado. No vértice cortado e decorado há uma cruz em pedra. O portal, rematado em arco de volta perfeita sobre impostas, está encimado por uma janela de peito que é uma miniatura do portal. Entre os dois vãos há uma cartela com a inscrição “1876 / FJBA”. Na fachada lateral direita abre-se uma porta de verga reta encimada por uma janela rematada em arco de volta inteira. No extremo posterior desta fachada abre-se uma janela igual. Entre estes vãos encosta o corpo da sacristia, onde se abre uma porta a sul acessível pelo adro. À fachada lateral esquerda, no prolongamento da fachada principal, encosta o campanário. Tem um único vão de sino rematado em arco de volta perfeita peraltado, sobre impostas, ladeado e encimado por pináculos (um deles comum com a fachada da ermida). Ao campanário acede-se por uma escada de tiro encostada à fachada lateral esquerda da nave, em cujo patamar superior se abre a porta de acesso ao coro alto. Na face anterior, abaixo do vão do sino, há uma cartela com uma composição decorativa em relevo. Na fachada lateral esquerda da ermida abrem-se duas janelas em posição simétrica às da fachada lateral direita.
No interior, o piso é em madeira e a cobertura é de três esteiras, também em madeira, com as linhas das asnas à vista. Sobre a entrada fica o coro alto, suportado por dois pórticos rudimentares em madeira e protegido por uma imitação de balaustrada em madeira. Do lado da epístola há, na face interna da fachada, uma pia de água benta semiesférica encastrada. O presbitério está elevado de um degrau e separado da assembleia através de uma balaustrada fingida em madeira. Para este patamar abre-se a porta da sacristia, na parede do lado da epístola. Na parede do lado do evangelho está a escada de acesso ao púlpito, ambos em madeira. A zona do altar-mor está elevada de mais três degraus e protegida por uma pequena guarda em madeira. O retábulo é em madeira pintada de branco e de um revivalismo classicizante com apontamentos tardo-barrocos.
O imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco. As pilastras, as molduras dos vãos da fachada principal, os remates superiores dos muros, os pináculos e os demais elementos decorativos, são em cantaria pintada de cinzento. A cobertura é de duas águas em telha de cimento cor de cerâmica.
O interior é todo pintado de branco exceto os pilares do coro, as cornijas de “suporte” do coro e da cobertura, as linhas das asnas, o púlpito, a frente e os degraus do pódio do altar-mor, as balaustradas e outras guardas, as molduras dos vãos, os rodapés e o que resta do mobiliário original (bancos e ambão) que são em madeira pintada de verde-claro.
ELEMENTOS DATADOS: Cartela na fachada principal com a data “1876” inscrita.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Razoável
FUNÇÃO INICIAL: Ermida
FUNÇÃO ATUAL: Ermida
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: MONTEREY, Guido de, Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago, Porto, edição do autor, 1981; SOUSA, J. Duarte de, Ilha de S. Jorge – Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2003; TEIXEIRA, Odília, Ao Encontro das Fajãs, 3.ª edição, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2001.
OBSERVAÇÕES: Perto da ermida, na parte posterior do terreno, existe uma enorme cisterna que faz parte da mesma propriedade. Na parte anterior do terreno, encostado ao limite da propriedade, está um palheiro de dois pisos, edificado em 1951 (data inscrita na verga da janela do piso superior), construído em alvenaria de pedra seca.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-29
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