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| 51.146.47 Igreja de São Mateus |
| URZELINA • ESTRADA REGIONAL 1-2, LUGAR DE SÃO MATEUS |
| EDIFÍCIO ISOLADO |
| ARQUITETURA RELIGIOSA |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XIX |
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DESCRIÇÃO: Grande igreja implantada sobre um adro nivelado e murado, acessível por uma escadaria de degraus curvos alinhada com a entrada principal. O degrau inferior remata no muro do adro junto a pilastras encimadas por pináculos. Junto aos degraus superiores o murete remata com uma elevação curva em forma de meia voluta. A faixa do adro que conduz da escada às portas da igreja tem pavimento lajeado.
A igreja é constituída pelo corpo da nave, pelo corpo mais estreito da capela-mor, por duas torres sineiras, pelo corpo da sacristia e demais dependências de menor qualidade. A fachada da nave está enquadrada pelo soco, por cunhais (que partilha com as torres sineiras) e por um pseudofrontão policurvado delimitado por volutas. O vértice é cortado por uma cornija curva sobre a qual assenta uma cruz em pedra. A fachada está ainda dividida em dois níveis por uma cornija. O nível inferior tem três portas rematadas em arco segmentar e encimadas por uma cornija curva com os extremos retos. A da porta axial está ligeiramente acima da larga verga diferenciando-se das restantes. No nível superior há três janelas de peito rematadas também em arco segmentar e encimadas por uma cornija totalmente curva. Acima da cornija da janela axial desenvolve-se uma composição decorativa em relevo. As torres sineiras enquadram a fachada e estão delimitadas pelo soco que se prolonga daquela, por cunhais rematados por pináculos e por cornija. Têm os campanários individualizados pelo atravessamento de uma cornija a dois terços da altura. Cada uma tem, no nível inferior, duas janelas de peito, sobrepostas, rematadas de forma semelhante aos vãos correspondentes na fachada da nave. Os campanários têm um vão de sino em cada face, rematado em arco de volta perfeita peraltado sobre impostas. Os mais visíveis têm uma cornija curva acima do arco. As janelas do segundo piso da fachada, das torres sineiras e os vãos do campanário, têm aventais que simulam balaustradas. Entre os pedestais dos pináculos das torres há pequenas platibandas com o mesmo motivo. À fachada lateral esquerda encosta o corpo da sacristia seguido de uma dependência cujo acesso se faz pelo adro. A cada compartimento corresponde uma porta e uma janela de peito.
O interior é de uma só nave coberta por uma falsa abóbada de berço cujos arranques são acompanhados por cornijas. Sobre a entrada há um coro alto protegido por uma balaustrada em madeira e assente sobre um arco deprimido. Sob o coro, em cada uma das paredes laterais, abre-se um arco de volta perfeita apoiado em pés-direitos com base e capitéis salientes: o do lado do evangelho dá passagem para a escada em pedra de acesso ao coro e às torres sineiras,
o do lado da epístola dá passagem ao batistério. O batistério está coberto por uma abóbada de barrete de clérigo muito baixo que parte de uma cornija que contorna todo o compartimento. Na escada da torre do lado do evangelho destaca-se o enorme pilar central em cantaria. A escada da torre do lado da epístola, acessível a partir do coro alto, embora diferente, destaca-se também pela qualidade construtiva. Na parede do lado do evangelho segue-se o portal lateral e o púlpito em cantaria, assente numa consola em forma de grande mísula, com um “pé” em forma de pilastra que se estende até ao pavimento. É protegido por um guarda-voz em madeira. Do lado oposto abre-se uma capela cuja passagem é feita por um arco de volta perfeita sobre pés-direitos com base e capitéis salientes. A seguir há confessionários inseridos na espessura das paredes em ambos os lados. Estão enquadrados por um vão moldurado com verga curva. Logo após cada confessionário está uma porta, de acesso à antecâmara da sacristia, do lado do evangelho, e a uma dependência, do lado da epístola. O arco triunfal é de volta perfeita sobre impostas, com um enorme escudo da coroa portuguesa, em madeira pintada, sobre o fecho. De cada lado do arco triunfal há um arco mais pequeno que assinala um altar e enquadra uma mísula e uma moldura que simula um nicho com uma imagem. A capela-mor está também coberta por uma falsa abóbada de berço que arranca de uma cornija. O retábulo do altar-mor é de um revivalismo eclético. |
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Na sacristia há um lavabo constituído por uma bacia retangular com consola piramidal assente sobre um pé, e por um alçado retangular dividido em três secções com elementos decorativos simbólicos em relevo rematado por uma cornija curva: a secção inferior tem uma roseta de seis folhas envolvida por uma moldura circular em cujo centro se insere a bica; a secção intermédia tem uma composição de volutas com uma flor-de-lis ao centro; a secção superior tem uma cruz ao centro com uma flor-de-lis de cada lado.
O imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco. Os socos, os cunhais, as cornijas, os arcos, as molduras dos vãos e os elementos decorativos, são em cantaria à vista. As escadas das torres são em alvenaria de pedra e cantaria à vista. As coberturas são de duas águas em telha “marselha”. |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom |
| FUNÇÃO INICIAL: Igreja |
| FUNÇÃO ATUAL: Igreja Paroquial |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AVELLAR, José Cândido da Silveira, Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História, Horta, Typ. Minerva Insulana, 1902; MONTEREY, Guido de, Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago, Porto, edição do autor, 1981; SOUSA, J. Duarte de, Ilha de S. Jorge – Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2003. |
| DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-11 |
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