 |
| 51.146.51 CASA DE HABITAÇÃO - ESTRADA REGIONAL 1-2, LUGAR DE SÃO MATEUS |
| URZELINA • ESTRADA REGIONAL 1-2, LUGAR DE SÃO MATEUS |
| EDIFÍCIO ISOLADO |
| ARQUITETURA DOMÉSTICA |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XIX |
 |
DESCRIÇÃO: Grande casa de habitação implantada à face da rua que, apesar de evidenciar algumas alterações à estrutura inicial, mantém ainda a sua qualidade arquitetónica.
O edifício tem dois pisos e planta complexa, resultante da ampliação da habitação original de planta em “U” irregular. A base do “U” acompanha a rua. O braço maior prolonga-se para nordeste, no corpo da cozinha, onde
o número de pisos vai subindo de modo a acompanhar o declive do terreno, rematando no corpo já de si alteado da “caixa do lar/fumeiro”.
A fachada principal está enquadrada pelo soco baixo, por cunhais apilastrados sobre pedestais e por cornija. No piso térreo há cinco portas (uma delas foi transformada em janela) que davam acesso às “lojas” e atualmente à mercearia que ocupa parte do piso térreo. No segundo piso há cinco janelas de peito, alinhadas pelos vãos inferiores e ligadas a eles pelo prolongamento das ombreiras que sobem até à cornija à qual se sobrepõem em relevo. As faixas que delimitam inferiormente os aventais das janelas formam um duplo lintel sobre as portas. As vergas das janelas prolongam-se numa faixa que une cunhal a cunhal.
De ambos os lados da fachada principal havia balcões encostados às fachadas laterais. Ambos foram fechados por estruturas de madeira. O balcão da esquerda (designado por “sombrero”), estendendo-se até ao portão, funcionava como prolongamento da sala interior lembrando uma “casa de fresco”. É alpendrado no canto norte e fechado por paredes de madeira nas restantes superfícies onde janelas com portadas de tabuinhas reguláveis alternam com janelinhas de caixilharia fixa e vidros coloridos. Tem o piso em tufo, “namoradeiras” nos vãos e acesso direto ao terreno. O balcão da direita, muito mais estreito, dava acesso à antiga porta principal. Está transformado em galeria fechada, deixando no exterior a escada em pedra encostada ao balcão e paralela à fachada lateral direita. É por esta escada que se faz o acesso à ampliação, um corpo retangular perpendicular à fachada lateral direita da casa original, com o volume da nova cozinha perpendicular ao respetivo tardoz. Arquitetonicamente muito mais simples que o corpo principal, revela apenas uma tendência pré-modernista nas caixilharias das janelas com subdivisões geométricas e pequenos vidros coloridos.
No interior merece destaque a “caixa do lar/fumeiro” (com pé-direito muito alto), cuja entrada se faz por um arco rebaixado e que dá acesso a dois fornos. Existem ainda alguns dos sobrados e portas originais.
O imóvel é construído em alvenaria de pedra, rebocada e pintada de branco. O soco, os cunhais, a cornija, as faixas e as molduras dos vãos do corpo original são em cantaria à vista. As duas portas mais à direita são de dois batentes em madeira pintada de verde. As restantes são também de dois batentes mas em madeira pintada de branco. As janelas, de guilhotina de três folhas, têm caixilharias de madeira pintada de branco. As coberturas são em telha de meia-cana rematada em beiral duplo.
Do balcão esquerdo segue para noroeste um muro alto que delimita uma parcela de terreno, acessível pelo portão virado à rua, onde existem algumas pequenas dependências. Junto ao tardoz do corpo principal há ainda um palheiro de dois pisos. |
 |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Razoável |
| FUNÇÃO INICIAL: Habitação e apoio à atividade rural |
| FUNÇÃO ATUAL: Habitação |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores, São Jorge/Ficha 29. |
| OBSERVAÇÕES: Nesta casa habitou o maestro Francisco de Lacerda. |
| DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-20 |
|
|