51.175.83 Igreja Matriz de São Jorge
VELAS • Praça Velha
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA RELIGIOSA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc. SÉC.XV/SÉC.XVII
DESCRIÇÃO: Igreja implantada em posição de relevo na Praça Velha. Apesar de se encontrar muito transformada devido a várias reconstruções parciais que renovaram completamente a fachada, conserva no exterior e, sobretudo no interior, múltiplos aspetos espaciais, compositivos e decorativos de qualidade. É atualmente constituída pelo corpo das naves, pelos corpos das três capelas da cabeceira, pela torre sineira, pelo corpo da sacristia, por uma capela lateral e por uma outra dependência onde está instalado o museu de arte sacra.
Da fachada principal do corpo das naves já nada resta das versões mais antigas. A torre sineira encosta à fachada lateral esquerda no alinhamento da fachada principal. Está delimitada por um soco, por cunhais e por cornija encimada por uma platibanda que simula uma balaustrada com um pináculo em cada canto. É encimada por uma cúpula bolbosa composta, de base octogonal, rematada por um pináculo com um cata-vento no topo. Na faixa que separa as duas secções bolbosas da cúpula está inscrita a data “1825”. A torre está dividida em dois pisos por meio de uma cornija muito saliente. No piso inferior há, do lado da fachada principal, um óculo retangular de iluminação da antecâmara do campanário. Na fachada lateral esquerda há uma janela de iluminação do batistério. À fachada posterior da torre encosta a escada com balcão de acesso à antecâmara do campanário. O piso superior da torre está subdividido por uma cornija mais pequena que delimita uma simulação de soco. Nesse “soco”, do lado da fachada principal, há um mostrador de relógio, quadrado, sem ponteiros. A parte superior corresponde ao campanário onde se abrem os vãos de sino: dois geminados do lado do corpo das naves e um em cada uma das outras faces. Todos são rematados em arco de volta perfeita peraltado sobre impostas.
A capela lateral encosta à fachada lateral esquerda do corpo das naves. É delimitada por um soco saliente, por cunhais apilastrados e por uma cornija com faixa inferior. No tardoz, sobre a cornija, assenta um frontão agudo com o vértice cortado e encimado por uma cruz. Está ladeado por pináculos na vertical dos cunhais. No tímpano há uma cartela com a inscrição “CAPELLA DE / N. S. DAS / DORES / ANNO. 1785”. O corpo onde funciona o museu de arte sacra encosta ao ângulo formado pela capela de Nossa Senhora das Dores e pela capela colateral do lado do evangelho. Entre a capela de Nossa Senhora das Dores e a escada exterior da torre abre-se, na fachada lateral do corpo das naves, uma porta com a moldura em tufo rematada por um entablamento simplificado e encimada por uma janela. Na fachada oposta há uma porta e uma janela iguais e em posição simétrica. À fachada lateral direita, a seguir à porta lateral, encosta o corpo retangular da sacristia que apresenta uma linguagem arquitetónica de um revivalismo classicizante novecentista. A porta de acesso exterior está enquadrada por triplos colunelos rematando com um entablamento simplificado. Na face lateral direita abrem-se três janelas de peito (a do meio rematada em arco) e, na posterior, há uma porta com um pequeno postigo à sua esquerda.
O interior está dividido em três naves por duas fiadas de cinco arcos de volta perfeita assentes em pilares quadrangulares com pedestais, bases e capitéis salientes. As paredes laterais da nave central são ritmadas por pilastras que ligam os capitéis dos pilares à grande cornija que contorna esta nave e à qual se sobrepõem em relevo. Há um coro alto de madeira, sobre a entrada, correspondente ao primeiro par de arcos, que se estende para as naves laterais. Está protegido por uma balaustrada que descreve uma curvatura no tramo correspondente à nave central. Ao coro alto acede-se por uma escada do lado da epístola, protegida por uma guarda em madeira recortada. Sob o coro, na parede do lado do evangelho abre-se o arco de acesso ao batistério (que fica sob a torre sineira). O batistério tem cobertura em abóbada de berço que arranca de uma cornija que contorna todo o compartimento. De ambos os lados, nas paredes das naves laterais, seguem-se os portais laterais e, do lado do evangelho, o arco de acesso à capela de Nossa Senhora das Dores. A capela está coberta por uma abóbada de berço assente numa cornija. Tem um retábulo tardo-barroco/rococó, provavelmente já revivalista, em talha policromada e dourada. Desta capela acede-se ao corpo do museu através de uma porta rematada por um entablamento simplificado. Em simetria com a capela há, do lado da epístola, um nicho que enquadra o retábulo de um altar lateral. De ambos os lados seguem-se dois outros nichos que recebem altares com retábulos em talha, igualmente policromada, relativamente recente e de formalização ingénua. Nos terceiros pilares a contar da entrada há púlpitos com consolas de cantaria em forma de mísula, acessíveis por escadas adossadas aos pilares. As guardas destas escadas e dos púlpitos são balaustradas de madeira semelhantes às do coro. Sobre cada um há um guarda-voz em madeira com rebordos rendilhados. As capelas da cabeceira são acessíveis através de arcos de dimensão contrastante, já que os das colaterais são muito mais pequenos que o arco triunfal. Todos os arcos e nichos são de volta inteira assentes em pés-direitos com bases e capitéis salientes. O arco triunfal tem no fecho o brasão da coroa portuguesa. Na capela-mor há um cadeiral em cada parede e uma cornija abaixo do teto. O retábulo, em talha dourada de linguagem clacissizante e de grande qualidade, desenvolve-se em três níveis e inclui, nos níveis superiores, três telas representando Santo Agostinho (ao centro), São Pedro (à direita) e Santo André (à esquerda). Há ainda uma imagem do orago – São Jorge – inserida num camarim que abarca parte do primeiro nível e todo o segundo. O acesso à sacristia faz-se pela capela lateral do lado da epístola. Os tetos das naves e da capela-mor são de três esteiras, em madeira e relativamente recentes. As capelas colaterais, subdivididas em duas secções por um arco assente em pilastras, são cobertas por abóbadas de berço. A primeira secção, mais curta e onde a abóbada é lisa, enquadra as portas laterais de ligação às dependências. A abóbada da segunda secção é formada por caixotões em cantaria. Na fiada axial há composições decorativas em relevo.
As zonas mais antigas da igreja são construídas em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco. O soco, os cunhais, as cornijas e as molduras dos vãos da fachada principal, são pintados de cinzento. Todos os outros, assim como os aros, os pilares, as cornijas, as molduras dos vãos e as abóbadas das capelas colaterais e do batistério, são em cantaria à vista. A cobertura do corpo das naves é de duas águas em telha “marselha” e as restantes coberturas são de duas ou três águas em vários tipos de telha.
ELEMENTOS NOTÁVEIS: Capelas colaterais e retábulo do altar-mor.
ELEMENTOS DATADOS: Cartela no exterior da capela de Nossa Senhora das Dores com a data “1785” inscrita; faixa na cúpula bolbosa da torre sineira com a inscrição “1825”.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom
FUNÇÃO INICIAL: Igreja
FUNÇÃO ATUAL: Igreja paroquial
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AVELLAR, José Cândido da Silveira, Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História, Horta, Typ. Minerva Insulana, 1902; MACIEL, Frederico, Igrejas e Ermidas que Foram nas Velas (texto policopiado), s/l, s/n, s/d; MONTEREY, Guido de, Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago, Porto, edição do autor, 1981; SOUSA, J. Duarte de, Ilha de S. Jorge – Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2003.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-20
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