51.176.90 Paços do Concelho
VELAS • Jardim da República
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA PÚBLICA CIVIL
IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO (resolução nº 64/84, De 30 De abril)
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: Séc.XVIII
DESCRIÇÃO: O edifício dos Paços do Concelho ocupa grande parte de um quarteirão do núcleo antigo das Velas. É constituído por um corpo mais antigo, de planta retangular, muito estreito e com dois pisos, e por outro de construção mais recente, de planta em “U”, com um piso e cave, que se adossou ao tardoz do primeiro fechando um pátio e completando o quarteirão.
A fachada do corpo mais antigo, virada ao Jardim da República, está delimitada por dois socos sobrepostos (sendo o original muito alto e o outro, mais baixo, de aplicação mais recente), por cunhais apilastrados e por cornija com faixa inferior. É atravessada horizontalmente por uma faixa larga e está dividida verticalmente em três secções. As secções da esquerda compõem uma grande parte da fachada com disposição falsamente simétrica, sendo o eixo de simetria a faixa que contém a porta principal. Está enquadrada por duas colunas torsas muito curtas, assentes em altos pedestais duplos, e por um entablamento ressaltado na vertical das colunas. Sobre o entablamento, no alinhamento das colunas, assentam mais dois pares de curtas colunas torsas sobrepostas que suportam um segundo entablamento ligado à cornija de remate da fachada. Os pares de colunas superiores enquadram uma superfície retangular em cantaria com uma moldura quadrangular saliente onde se insere uma pedra de armas da coroa portuguesa que contrasta com o fundo pela sua coloração amarelada. À esquerda do eixo de simetria há duas portas no piso térreo encimadas por duas janelas de sacada servidas pela mesma varanda. À direita ficam, no piso térreo, duas das janelas gradeadas da antiga cadeia, e, no piso superior, duas janelas de sacada em tudo simétricas às do lado esquerdo. A terceira secção, mais à direita, separada da secção central por uma pilastra, repete, em ambos os pisos, o mesmo número e tipo de vãos daquela. Todos os vãos têm vergas retas, sendo a porta e as janelas de sacada rematadas por cornija. A fachada lateral direita do corpo mais antigo é cega. O corpo posterior tem um só piso virado à Rua de São João devido à diferença de cota entre esta e o Jardim da República. A fachada principal é delimitada por um pequeno soco, por cunhais estreitos e por cornija. Tem uma porta axial e três janelas altas de cada um dos lados. Sob quatro das janelas há janelas jacentes gradeadas para iluminação da cave. Os vãos têm molduras simples com vergas retas. Sobre a porta, abaixo do beiral, eleva-se um painel paralelepipédico delimitado por cunhais e por uma fina cornija. No centro do painel há uma lápide com o brasão da cidade.
No interior destaca-se o átrio de entrada, lajeado, do qual parte a escada que liga ao piso superior com um primeiro lanço axial que se desdobra, a partir do patamar, em dois lanços simétricos. O salão nobre tem um teto “de alfarje” em forma de masseira, relativamente recente, com o escudo português ao centro. Ambos os edifícios são construídos em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco. O soco, os cunhais, as cornijas, as molduras dos vãos e os elementos decorativos do edifício inicial são em cantaria à vista. No edifício posterior, o soco, os cunhais, a cornija e as molduras dos vãos, são pintados de cinzento. As portas e as caixilharias das janelas são em madeira pintada de branco e vermelho. As janelas da antiga cadeia têm gradeamento em ferro pintado de vermelho. As guardas das varandas são em madeira pintada de vermelho. A cobertura do edifício original é de quatro águas, em telha de meia-cana tradicional, rematada em beiral duplo. O edifício posterior tem uma cobertura de duas águas dobrada nos ângulos do “U”, em telha “marselha”, com respiradouros a espaços regulares e com a cumeeira decorada por elementos cerâmicos rendilhados. É rematada por beiral simples em telha de canudo.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom
FUNÇÃO INICIAL: Casa de câmara e cadeia
FUNÇÃO ATUAL: Serviços
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AAVV, Arquitectura Popular dos Açores (2.ª edição), Lisboa, Ordem dos Arquitectos, 2007; Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores, São Jorge/Ficha 12; AVELLAR, José Cândido da Silveira, Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História, Horta, Typ. Minerva Insulana, 1902; MONTEREY, Guido de, Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago, Porto, edição do autor, 1981; SOUSA, J. Duarte de, Ilha de S. Jorge – Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica, Velas, Câmara Municipal de Velas, 2003.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-12
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