51.175.93 Solar dos Cunha da Silveira
VELAS • RUA GUILHERME DA SILVEIRA, nos 28 A 44 / RUA CUNHA DA SILVEIRA, nos 2 A 8
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITETURA DOMÉSTICA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XVIII/Séc.XIX
DESCRIÇÃO: Grande solar urbano que forma um gaveto e que se destaca na vila pela dimensão e pela composição regular das fachadas.
O lote inclui, além da habitação, a adega, as cavalariças e um pequeno logradouro. A habitação, com dois pisos, tem planta genericamente retangular, com o corpo da cozinha, que tem mais um piso, encostado na perpendicular sensivelmente a meio do tardoz formando um “T”. A adega tem um piso e prolonga a fachada de maior extensão da habitação, ambas compondo a frente virada à Rua Guilherme da Silveira. A frente da Rua Cunha da Silveira é formada pela fachada lateral esquerda da habitação e pelo muro que a prolonga para nordeste onde se abre um portão de acesso ao logradouro. A este muro encosta o corpo de dois pisos das cavalariças que se abre para o logradouro e para o tardoz da habitação.
As fachadas da habitação viradas à rua são delimitadas pelo soco, por cunhais sobre pedestais e por cornija. Na fachada de maior extensão há nove vãos em cada piso: portas no piso térreo e janelas de sacada no piso superior. A porta principal, a eixo, é mais alta e mais larga que as restantes e tem a verga encimada por cornija. A fachada menor, com uma inflexão sensivelmente a meio, tem quatro portas no piso térreo e, no segundo piso, quatro janelas de sacada. Todas as janelas do piso superior abrem para uma varanda corrida, protegida por uma guarda em ferro fundido. Os vãos são de verga curva e as ombreiras prolongam-se unindo o soco à cornija.
A porta principal da habitação abre para um átrio pavimentado com calçada “à portuguesa” e está alinhada com o arco abatido de passagem para a escada em madeira que liga ao segundo piso. Nas paredes laterais do átrio há portas de acesso às “lojas”. O primeiro lanço da escada subdivide-se, a partir do patamar intermédio, em dois lanços paralelos e de sentido contrário. No piso superior os pavimentos são, em grande maioria, os originais em sobrado de “carolina” (“pinho resinoso”). Os tetos do corredor e dos compartimentos principais são planos mas encurvam até assentar nas cornijas de remate das paredes. É de destacar o teto de madeira com caixotões da sala de jantar, compartimento de construção mais recente virado ao pátio retangular. Da cozinha, situada no piso intermédio do respetivo corpo, destaca-se o sistema da “caixa do lar” com forno duplo e grande chaminé de “mãos postas” acoplados.
A adega abre para a Rua Guilherme da Silveira um enorme portão rematado em arco ligeiramente abatido com uma pequena janela jacente de cada lado. O muro onde se insere é rematado por uma balaustrada de cimento armado que faz a guarda da plataforma do logradouro superior onde se implanta igualmente uma estufa que encostou à empena da habitação.
O tardoz da habitação é de desenho simplificado. A nordeste da cozinha, delimitado por esta e pelo corpo da habitação, há um pátio retangular ao nível do piso térreo para onde abrem algumas das “lojas”.
Nas cavalariças, fronteiras ao tardoz da habitação, abre-se um portão a eixo do piso térreo com uma porta de cada lado. Estes vãos alternam com quatro óculos sobrelevados. No piso superior há três janelas de peito. No interior existem ainda as baias em madeira e as manjedouras em tufo.
Todos os edifícios são construídos em alvenaria de pedra rebocada e caiada ou pintada de branco. As coberturas são em telha de meia-cana rematadas em beiral duplo. Na habitação, o soco, os cunhais, a cornija, a consola da varanda e as molduras dos vãos são pintados de cinzento. As caixilharias dos vãos virados à rua são em madeira. As portas da fachada lateral esquerda são pintadas de verde. As da fachada maior são parcialmente envidraçadas e pintadas de branco, ou branco e verde, exceto a porta da habitação que é almofadada e pintada de castanho e tem grelhas de arejamento. As caixilharias das janelas de sacada, com dois batentes e bandeira, são pintadas de branco com os aros pintados de verde.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Mau
FUNÇÃO INICIAL: Habitação
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: AAVV, Arquitectura Popular dos Açores (2.ª edição), Lisboa, Ordem dos Arquitectos, 2007; Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores, São Jorge/Ficha 9.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2008-07-14
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mapa: 175
São Jorge. Velas
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